Homem é condenado a 60 anos por feminicídio da ex-mulher em Salvador
Paulo Sérgio Santos Cerqueira Melhor foi condenado pelo assassinato de Catarine Melhor de Souza Cerqueira, de 27 anos, no bairro de Plataforma, em abril de 2025
Por Victor Hernandes.
Um homem foi condenado a 60 anos de prisão pelo feminicídio da ex-mulher, em Salvador. A vítima foi identificada como Catarine Melhor de Souza Cerqueira, de 27 anos. Na época, o crime ocorreu no bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário da capital baiana, em abril do ano passado. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri, que julgou o caso relacionado ao assassinato.

O réu foi denunciado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA). Durante o julgamento, a promotora de Justiça Fabiana Alves Mueller sustentou as acusações e apontou que o crime foi cometido por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Feminicídio ocorreu na presença de familiares
De acordo com as investigações, Catarine foi assassinada na presença de familiares, entre eles o filho de quatro anos do casal, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a mãe da vítima, uma irmã de 11 anos e outra filha de Catarine, de sete anos.
O casal havia convivido por cerca de cinco anos e estava separado havia poucos meses. Segundo as apurações, Paulo Sérgio não aceitava o fim do relacionamento. No dia do crime, ele descumpriu uma medida protetiva de urgência concedida em favor de Catarine e invadiu a residência onde ela morava. Para acessar o segundo pavimento do imóvel, o homem teria escalado um poste e quebrado uma porta de vidro e alumínio.
Dentro da residência, Paulo Sérgio agrediu a ex-mulher, inclusive com mordidas, e desferiu golpes de faca contra ela. Em seguida, pegou o carro da vítima e deixou o local sem prestar socorro. Durante o julgamento, a promotora de Justiça destacou que o crime foi cometido por razões da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica e familiar, caracterizando o feminicídio.
Paulo Sérgio está preso preventivamente desde 28 de abril de 2025 e, conforme informado no julgamento, não poderá recorrer da condenação em liberdade.
Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025
A condenação ocorre em meio aos registros de violência contra mulheres na Bahia. Um levantamento da Rede de Observatórios da Segurança apontou 240 casos no estado em 2025, com redução de 6,6% em relação ao ano anterior. O estudo também identificou lacunas na identificação das vítimas: em 85% das ocorrências, não havia informação sobre raça ou cor.
Nos casos de feminicídio registrados na Bahia, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório.
O boletim reúne dados de ocorrências monitoradas em nove unidades da federação: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Ao longo de 2025, foram registrados 4.558 casos de violência contra mulheres nesses estados, um aumento de 9% em comparação com 2024. A média foi de pelo menos 12 mulheres vítimas de violência por dia.
No período analisado, também foram contabilizadas 1.004 mortes de mulheres nos estados monitorados, incluindo homicídios, feminicídios e transfeminicídios. Desse total, 546 casos foram classificados como feminicídio e sete como transfeminicídio.
De acordo com a Rede de Observatórios da Segurança, os dados são produzidos a partir do monitoramento diário de notícias publicadas na imprensa sobre violência e segurança pública. As informações são coletadas em diferentes fontes, comparadas e registradas em um banco de dados, que passa por revisão antes da consolidação final.

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