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MPBA denuncia três PMs por "execução sumária" de jovens no bairro de São Marcos, em Salvador

Denúncia aponta que Mateus Daniel e adolescente de 16 anos foram mortos em execução sumária; perícias e testemunhos contradizem versão de troca de tiros

Por Dinaldo dos Santos.

O Ministério Público da Bahia (MPBA) denunciou três policiais militares pelas mortes de Mateus Daniel Chagas da Silva e do adolescente Kaique Reis Santos, de 16 anos, ocorridas em setembro de 2025, no bairro de São Marcos, em Salvador. Segundo a denúncia, os dois jovens foram vítimas de uma execução sumária em São Marcos, sem possibilidade de reação durante a abordagem policial.

Jovem Morto Em Sao Marcos

Foram denunciados os PMs Jamile Maiara Reis dos Santos, Arailton Climerio Ferreira Junior e Tiago Costa Oliveira. Eles são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, recurso que teria dificultado a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito.

O MPBA também pediu a conversão das prisões temporárias dos policiais em preventivas e que os três sejam submetidos ao Tribunal do Júri.

Execução sumária em São Marcos

De acordo com a denúncia apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), os elementos reunidos na investigação apontam que não houve confronto armado antes das mortes.

Exames periciais e depoimentos de testemunhas, segundo o MPBA, indicam que as vítimas não efetuaram disparos e que não foram encontrados sinais que comprovassem uma troca de tiros no local. A conclusão contraria a versão apresentada pelos policiais de que teria ocorrido confronto durante a abordagem.

Adolescente teria sido morto após ser rendido

A investigação aponta que Kaique havia saído de casa para comprar pão quando encontrou os policiais, que procuravam suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas nas proximidades de um campo onde ocorria uma partida de futebol.

Ainda conforme a denúncia, ao perceber os policiais armados, o adolescente levantou as mãos e virou-se de costas, demonstrando que estava rendido. Mesmo assim, teria sido atingido por três disparos.

Segundo o MPBA, um dos tiros atingiu Kaique na perna quando ele começou a correr. Os outros dois disparos teriam sido efetuados depois, quando o adolescente já estava ferido e havia entrado em um beco.

A denúncia sustenta ainda que os policiais teriam determinado que o adolescente corresse antes de efetuarem os disparos.

Jovens chegaram mortos ao hospital

O Ministério Público afirma que Mateus Daniel e Kaique já estavam mortos quando foram retirados do local e levados para uma unidade hospitalar.

No caso do adolescente, a denúncia relata que ele teria sido colocado na viatura após ser carregado com um pano sobre o rosto. Durante o transporte, segundo o MPBA, a cabeça da vítima teria batido nas escadas.

As acusações agora serão analisadas pela Justiça. A denúncia do MPBA não representa, por si só, uma condenação, e os policiais terão direito à defesa e ao contraditório durante o processo.

Violência em Salvador

Como a quinta capital mais populosa do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza, Salvador enfrenta um dos maiores desafios da sua história recente: a segurança pública. Ranqueada como a capital mais violenta do país em 2024 pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a cidade registra índices alarmantes de homicídios, crimes armados e violência urbana.

Foto: Ilustração | Aratu On

Para traçar um panorama dos casos mais recentes, o Aratu On consultou registros da Polícia Civil referentes ao primeiro semestre de 2025. Entre janeiro e junho, foram contabilizados 378 homicídios dolosos - quando há intenção de matar - sendo 95% das vítimas homens e 5% mulheres. Ainda foram registrados 10 casos de latrocínio (roubo seguido de morte).

No Anuário de Segurança Pública, que mede homicídios e lesões graves com intenção de matar, Salvador apresentou taxa de 52 mortes por 100 mil habitantes, acima da média nacional, de 20,4.

No total, 1.335 mortes violentas foram registradas na cidade nesse período, representando quase 30% do índice nacional em apenas seis meses. Segundo o anuário, a capital baiana ultrapassou Macapá, enquanto a Bahia se mantém como o segundo estado mais violento do país, atrás apenas do Amapá.

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