Policiais penais são condenados por levar materiais ilícitos a presídio da Bahia
Policiais penais são condenados em investigação que envolve organização criminosa, corrupção passiva, facilitação de entrada de aparelho telefônico e outros objetos ilícitos
Por Victor Hernandes.
Doze servidores foram denunciados por facilitar e introduzir materiais ilícitos no Conjunto Penal de Feira de Santana foram condenadas à prisão pela Justiça da Bahia. Entre os condenados estão dez policiais penais, que além da condenação perderam o cargo público.
Todos foram alvo da Operação Sísifo, deflagrada pelo MP-BA em conjunto com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e a Secretaria da Segurança Pública (SSP), em fases realizadas nos anos de 2023 e 2024.

Os policiais condenados responderam por crimes de organização criminosa, corrupção passiva, facilitação de entrada de aparelho telefônico e outros objetos ilícitos. Eles respondem ainda por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção ativa, conforme a participação individual de cada um. Dentre eles, o policial penal Valmir Pereira de Jesus, identificado como líder do grupo criminoso, foi condenado a mais de 28 anos de prisão.
Os policiais penais condenados foram Vitor Cerqueira de Oliveira, Ednilson Santana Mota, Isaías Gregório de Miranda Filho, Yure Pinheiro Costa, Gildo de Lima Almeida, Valter Ferreira de Almeida, Leandro Calazans Amaral, Rosana Souza de Oliveira e Luana Priscilla de Jesus Moitinho. Além deles, Emerson Carmo dos Santos, por lavagem de dinheiro e organização criminosa, e Genivaldo Reis dos Santos, por corrupção ativa.
Policiais penais são condenados por introduzir materiais ilícitos em presídio baiano
Segundo a denúncia do MP-BA, os integrantes do grupo criminoso utilizavam os cargos ocupados na unidade prisional para facilitar a entrada de celulares, drogas e outros materiais ilícitos no presídio mediante recebimento de pagamentos financeiros.
As investigações apontaram a existência de divisão de tarefas, atuação coordenada e mecanismos voltados à ocultação e dissimulação dos valores obtidos com as atividades criminosas, inclusive por meio de movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados dos envolvidos.
De acordo com o MP, as investigações tiveram início após a “recorrente apreensão de diversos materiais ilícitos com os presos”, especialmente celulares, entorpecentes e armas perfurocortantes, “o que levantou evidências da participação ativa de detentos e de policiais penais” no esquema.
Operação mira atuação de facções criminosas dentro de presídios na Bahia
Na última sexta-feira (3), foi deflagrada uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) como foco o combate às facções criminosas dentro do sistema prisional da Bahia. Batizada de Sintonia de Gravata, a ação é realizada em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e a Polícia Civil.
De acordo com o MP-BA, as investigações apuram a atuação de grupos criminosos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, a circulação ilegal de armas de fogo e a comunicação entre detentos e integrantes das facções que permanecem em liberdade.
Além do cumprimento das medidas judiciais, a operação também prevê o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, com o objetivo de desarticular a estrutura econômica das organizações criminosas.
A ação integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro. Na Bahia, mais de 100 profissionais, entre promotores de Justiça, servidores e agentes das forças de segurança, participam da operação.
A operação também cumpriu 12 mandados judiciais contra detentos custodiados em unidades prisionais da Bahia. Ao todo, também foram expedidos 27 mandados de busca e apreensão.
As diligências ocorreram simultaneamente em Salvador e nos municípios de Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos celulares, notebooks e documentos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações e na identificação de possíveis outros envolvidos.
A Operação Sintonia de Gravata foi realizada de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), Ministério Público da Bahia (MP-BA) e Polícia Civil. As equipes seguem em campo para o cumprimento das medidas judiciais.

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