Coletivo baiano apresenta proposta no maior evento do país sobre o mar
Coletivo baiano 'Mulheres no Timão' apresenta proposta no São Paulo Ocean Week 2026, maior evento do país sobre o mar
Por João Tramm.
Um coletivo baiano apresenta proposta no maior evento do país sobre o mar, o São Paulo Ocean Week 2026. A iniciativa, batizada de 'Mulheres no Timão', é formada pela potência feminina e traz iniciativas ligadas à educação ambiental, sustentabilidade e cooperação internacional entre a Bahia e a região da Occitânia, no sul da França.

Formado por Jacqueline Moreno, Adriana Muniz e Anna Paula Greck, o coletivo reúne mulheres que atuam em iniciativas ligadas à preservação ambiental, cultura marítima e fortalecimento da chamada governança azul, aproximando comunidades da relação com o mar e com os ecossistemas costeiros.
Em entrevista exclusiva ao Aratu On, Anna Paula Greck afirmou que o coletivo surgiu como uma reação à falta de cuidado com a Baía de Todos os Santos: “Não foi um trabalho que começou de formiguinha, não, porque tem muita gente que não tá fazendo é nada. Só um turismo predatório”, declarou.
“Somos três mulheres muito ligadas ao mar, cada uma da sua forma. E todas estávamos impactadas pelo mal cuidado. Resolvemos então nos juntar e montar o coletivo”, afirmou Anna Paula.

Segundo ela, a decisão de criar o projeto aconteceu de forma prática, sem esperar grandes estruturas ou apoio institucional: “Decidimos começar pequeno. Sem esperar pelo poder público, por apoio grande. Decidimos fazer”, disse.
Dicionário de ecossistemas marinhos
Durante a São Paulo Ocean Week, o grupo lançou o “Dicionário Ecossistêmico OceaNÓS”, projeto colaborativo criado para aproximar a população da educação ambiental por meio de uma linguagem acessível e educativa. A proposta utiliza palavras inéditas e expressões criativas para ensinar conceitos ligados à preservação dos ecossistemas marinhos.

Entre os exemplos apresentados pelo coletivo estão termos como “Ecoesão”, relacionado à ideia de coesão ecológica; “TransforMAR”, que faz referência à transformação social e ambiental através do mar; e “OceaNós”, expressão criada para reforçar a ideia de pertencimento coletivo aos oceanos.
“Neste dicionário, a gente traz palavras que aproveitamos não para conceituar, como dicionários comuns, mas sim para ensinar”, explicou Anna Paula.
Segundo o coletivo, o projeto busca ampliar a chamada cultura oceânica, fortalecer a educação ecossistêmica e estimular uma diplomacia socioambiental construída a partir da sociedade civil.
Apoio entre Brasil e França
Outro destaque do coletivo Mulheres é a aproximação entre a Bahia e a região da Occitânia, no sul da França, em iniciativas ligadas à preservação marinha, inovação sustentável e intercâmbio educacional.
A escolha da região francesa acontece pelas semelhanças culturais e territoriais com a Bahia. Assim como o litoral baiano, cidades do sul da França possuem forte relação histórica com o mar, atividades portuárias, turismo costeiro, gastronomia ligada às águas e projetos voltados à biodiversidade marinha e às mudanças climáticas.
Anna Paula, que já morou na França, destacou que essa conexão também é fortalecida pela atuação do esposo, Bernard Greck, cônsul honorário francês em Salvador, facilitando o intercâmbio entre organizações ambientais, culturais e acadêmicas dos dois territórios.
“A França tem um respeito muito grande pela natureza e eles conseguem colocar luz e foco no que têm. Já a gente é um país enorme, com tanta riqueza natural, mas ainda não entendemos que temos que colocar a natureza como prioridade”, afirmou.
Formação social e educacional
O coletivo ainda promove iniciativas ambientais em eventos náuticos realizados na Bahia. Entre elas estão regatas com políticas de lixo zero e parcerias voltadas ao recolhimento e reaproveitamento de resíduos.
“Fazemos regatas aqui com lixo zero. Não é justo chegar na ilha e deixar lixo lá. O lixo volta por meio de parcerias, como com cooperativas. São muitos barcos em eventos como este. Só na última edição de um dos eventos que organizamos foram 70 barcos”, destacou.”, contou.
Segundo Anna Paula, a quantidade de embarcações envolvidas nesses eventos mostra a necessidade de ampliar o debate sobre responsabilidade ambiental nas atividades marítimas. Ela afirmou ainda que, mesmo sem grande estrutura, o coletivo vem crescendo e atraindo cada vez mais pessoas interessadas em participar das ações.
“Nós não temos muita estrutura, mas cada ano a gente cresce mais e mais gente se aproxima da gente”, disse.
Dentista por formação, Anna Paula também relaciona a atuação do grupo ao fortalecimento social de mulheres em comunidades costeiras e em projetos ambientais. Em uma das experiências citadas, ela lembrou o trabalho realizado onde chegou a atender cerca de 125 moradores, equivalente a aproximadamente 25% da população local.
A atuação social do coletivo também passa pela valorização de mulheres catadoras e trabalhadoras envolvidas em projetos de reaproveitamento de resíduos.

Baía de Todos-os-Santos
A Baía de Todos-os-Santos é reconhecida como um grande berço ecológico do país. Destaque no cenário nacional e internacional por suas políticas de conservação ambiental, a Bahia se tornou sede nacional da Amazônia Azul - área considerada crucial para a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros e marinhos.

A região conta com um das atividades mais aguardados dos amantes da natureza: a temporada de observação das baleias. Em busca das águas quentes da Baía de Todos-os-Santos e anunciando a chegada do clima frio, quem costuma frequentar, em julho, o litoral baiano pode contar com a sorte a qualquer momento e ser surpreendido com um espetáculo de Baleias-Jubartes.
Diante de tantas riquezas, o a Baía de Todos-os-Santos é frequentemente debatida e estudada por especialistas. Um desses momentos é o Fórum de Sustentabilidade Baía de Todos-os-Santos, que acontece anualmente em Salvador.
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