El Niño pode atrasar chuvas em até 43 dias no sul da Bahia; entenda
Aquecimento recorde do Pacífico também pode elevar temperaturas e reduzir precipitações no Nordeste
Por Isabela Cardoso.
O El Niño pode atrasar em até 43 dias o início da estação chuvosa na região de Ilhéus e Itabuna, no sul da Bahia. O fenômeno, que atingiu níveis recordes de aquecimento no Oceano Pacífico, também pode provocar temperaturas mais elevadas e redução das chuvas em partes do Norte e Nordeste nos próximos meses.

Em outubro, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou 2,47°C acima da média histórica, o maior desvio já registrado para o mês nessa área do Pacífico. O cenário reforça a classificação do fenômeno como muito forte, com possibilidade de permanência até o início de 2027.
El Niño pode atrasar período de chuvas na Bahia
Um estudo da empresa de tecnologia ambiental MORFO, divulgado pela CNN, aponta que o fenômeno pode modificar o calendário de chuvas em diferentes regiões brasileiras durante a estação chuvosa de 2026-2027.
No sul da Bahia, a estimativa indica um atraso de aproximadamente 43 dias no início das precipitações em Ilhéus e Itabuna, em comparação com condições climáticas neutras.
A alteração pode afetar principalmente a agricultura, com consequências para o planejamento do plantio, a preparação do solo e a disponibilidade de água.
Em outras localidades, a previsão de atraso é ainda maior. Em Curuá, no Pará, pode chegar a 74 dias. Já em Santarém e Altamira, também no estado paraense, as estimativas são de 41 e 34 dias, respectivamente.
Nordeste pode ter mais calor e redução das chuvas
O levantamento aponta que aproximadamente 84% do território brasileiro pode registrar temperaturas pelo menos 0,5°C acima da média histórica durante a estação chuvosa de 2026-2027.
No Nordeste, cerca de 47% da região apresenta tendência de temperaturas mais elevadas acompanhadas de redução das precipitações. Na Caatinga, a estimativa é de queda de 22% no volume de chuvas.
A Região Norte também pode enfrentar condições mais secas. Segundo o estudo, 55% da área analisada apresenta tendência simultânea de aumento das temperaturas e diminuição das chuvas.
Em partes da Amazônia, a redução das precipitações pode chegar a 16%, enquanto as temperaturas podem ficar aproximadamente 0,9°C acima da média. No Cerrado, a projeção indica diminuição de 15% das chuvas e elevação de cerca de 0,8°C na temperatura.
Sul pode registrar aumento das precipitações
Enquanto partes do Norte e Nordeste apresentam tendência de redução das chuvas, a Região Sul pode registrar aumento das precipitações.
As projeções oficiais para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 também indicam maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Apesar das tendências identificadas, o estudo aponta que, em 58% do território brasileiro analisado, não foi encontrada uma relação estatística consistente entre o El Niño e a quantidade de chuva.
El Niño de 2026 atinge marcas históricas no Pacífico
Dados atribuídos ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico alcançou marcas históricas em outubro.
Na região Niño 3, a anomalia semanal chegou a 3,7°C, superando os 3,6°C registrados em dezembro de 1982. Já na região Niño 1+2, próxima ao Peru e ao Equador, o desvio atingiu 4,6°C, igualando o recorde de junho de 1983.
O meteorologista Leydson Dantas, do Inmet, explica que os indicadores semanais e mensais precisam ser analisados separadamente, pois representam períodos de medição diferentes.
O El Niño começou a se configurar em junho e pode permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. Os efeitos sobre o clima brasileiro, entretanto, não são uniformes e dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da atuação de outros sistemas atmosféricos.
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