ECA Digital: novas regras prometem mudanças nas plataformas online
Atualização no ECA Digital traz mudanças nas redes sociais em debate sobre exposição de menores em plataformas digitais; saiba o que muda
Por Laraelen Oliveira.
A atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual, conhecido como ECA Digital, que foi proposta pelo senador Alessandro Vieira e sancionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2025, entrou em vigor no dia 17 de março de 2026. O debate tem ganhado destaque ao propor transformações diretas na forma como crianças e adolescentes são protegidos e expostos na internet.

Em meio à crescente preocupação com a exposição de menores nas redes sociais, as mudanças colocam tanto o poder público quanto às plataformas digitais diante de novas responsabilidades quanto à exposição infantil.
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Novas regras para atuação das plataformas digitais
Um dos principais eixos do ECA Digital está na ampliação da responsabilidade das empresas de tecnologia. A proposta prevê que plataformas digitais deixem de atuar apenas de forma reativa e passem a ter uma postura preventiva diante de riscos envolvendo menores. Isso significa que as redes sociais deverão adaptar seus sistemas de moderação, garantindo a remoção mais rápida de conteúdos ilegais e a criação de mecanismos eficazes de denúncia.

Aplicativos como o Instagram, o TikTok e o X estão entre os mais impactados, já que concentram grande parte do público jovem. Com as mudanças, essas plataformas poderão ser responsabilizadas não apenas pela existência de conteúdos prejudiciais, mas também pela demora ou omissão em retirá-los do ar.
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Proteção de dados e privacidade de menores
Outro ponto central das mudanças é o reforço na proteção de dados pessoais de crianças e adolescentes. O ECA Digital propõe limites mais rígidos para a coleta e o uso dessas informações, especialmente no que diz respeito à publicidade direcionada e ao funcionamento de algoritmos.
Na prática, isso pode significar a restrição de anúncios personalizados para menores e a obrigatoriedade de maior transparência sobre como dados são utilizados. A intenção é evitar que crianças sejam expostas a conteúdos inadequados ou manipuladas por estratégias comerciais dentro das plataformas.
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Controle de acesso e verificação de idade
As propostas também incluem a exigência de mecanismos mais eficazes para verificação de idade e controle de acesso. Atualmente, grande parte das plataformas depende apenas da autodeclaração do usuário, o que facilita o acesso de menores a conteúdos impróprios.
Uma das principais mudanças é a configuração automática de contas privadas para usuários com menos de 16 anos. Com isso, perfis de adolescentes passam a ter maior controle sobre quem pode visualizar suas publicações, reduzindo a exposição a desconhecidos. Além disso, jovens entre 13 e 15 anos precisarão de autorização do responsável para alterar configurações de uso, exibição de conteúdo ou limites de tempo de tela.

Além disso, houve um avanço importante na limitação de interações e conteúdos. As plataformas agora devem restringir o envio de mensagens diretas por desconhecidos, além de reduzir a exibição de conteúdos considerados sensíveis. Essa iniciativa também contribui para diminuir situações de cyberbullying e a pressão estética, problemas frequentemente enfrentados por jovens nas redes sociais.
Com o ECA Digital, empresas poderão ser obrigadas a adotar tecnologias mais robustas para garantir que crianças e adolescentes tenham experiências adequadas à sua faixa etária. Além disso, ferramentas de controle parental tendem a se tornar mais completas e acessíveis.
Pressão social impulsiona mudanças
O avanço dessas propostas ocorre em um contexto de forte pressão social. Casos de exposição indevida, desafios perigosos e exploração infantil em ambientes digitais têm gerado indignação pública e mobilização nas redes. Nesse cenário, movimentos associados à chamada Lei Felca, inspirada no influenciador Felca, ajudaram a intensificar a cobrança por medidas mais rígidas.
No dia 17 de março a lei foi oficialmente consolidada, com o objetivo de reforçar a necessidade de punições mais severas e maior responsabilização das plataformas na exposição e adultização infantil, influenciando diretamente o debate sobre o ECA Digital.
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