Lula diz que Carta da ONU está sendo rasgada e que Brasil não voltará a ser colônia

Em Salvador, presidente Lula Lula criticou 'lei do mais forte', disse que Carta da ONU está sendo rasgada e que Brasil não aceita mais voltar a ser colônia

Por Juana Castro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23) que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e declarou que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.

Lula discursou no encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador

Segundo Lula, o cenário global tem sido marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pelo avanço de posturas unilaterais, fenômeno que, na avaliação dele, se reflete tanto em crises recentes na América Latina quanto em mudanças políticas em países centrais.

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O político também fez críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta semana, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump discursou para líderes europeus e ressaltou o desejo dos Estados Unidos em se apoderar da Groenlândia, território pertencente à Dinamarca. Ele também anunciou a criação de um conselho voltado à paz em Gaza, divulgando imagens que mostravam resorts de luxo na região.

As falas de Trump foram recebidas com receio pela comunidade internacional.

“Estamos vivendo um momento muito crítico na política mundial. O multilateralismo está sendo jogado fora pelo unilateralismo. Está prevalecendo a lei do mais forte. A Carta da ONU está sendo rasgada”, afirmou Lula durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), em Salvador.

Lula citou eleições recentes em países da América Latina, nas quais candidatos da direita saíram vencedores, além da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, como parte de um contexto mais amplo de instabilidade democrática.

Para o presidente, o cenário atual contraria a agenda de reformas defendida pelo Brasil desde seu primeiro mandato, iniciado em 2003, especialmente a ampliação do Conselho de Segurança da ONU com a inclusão de novos países.

“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países - como México, Brasil e países africanos - o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse.

Lula afirmou ainda que o contexto internacional exige atenção especial do Brasil em 2026, ano de eleições no país, diante do que classificou como riscos à democracia em diferentes partes do mundo.

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Unilateralismo e multilateralismo

O presidente declarou que tem intensificado contatos diplomáticos nas últimas semanas com o objetivo de articular uma reação internacional ao enfraquecimento do multilateralismo. Segundo ele, foram realizadas conversas telefônicas com líderes de diferentes países e blocos políticos.

“Estou há uma semana telefonando para países do mundo inteiro”, disse Lula, citando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, da China, Xi Jinping, o primeiro-ministro da Índia, além de conversas com líderes da Hungria e do México, entre outros.

De acordo com Lula, o objetivo desses contatos é avaliar a possibilidade de uma reunião internacional que reafirme o compromisso com o multilateralismo e evite que as relações entre países passem a ser regidas pela força militar, pela intolerância ou por imposições unilaterais.

O presidente também afirmou que a política externa brasileira não se baseia em alinhamentos exclusivos e que o país busca manter relações diplomáticas com diferentes nações, independentemente de orientações ideológicas. O que o país não vai aceitar, conforme Lula, é a subordinação:

“O Brasil quer ter relação com os Estados Unidos, quer ter relação com Cuba, quer ter relação com a China, quer ter relação com a Rússia. A gente não tem preferência. O que a gente não aceita mais é voltar a ser colônia para alguém mandar na gente”.

Confira abaixo:

Lula em Salvador: ato do MST reúne lideranças políticas e mais 3 mil militantes

O ato de encerramento do último dia do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocorreu na tarde desta sexta-feira (23), em Salvador, reunindo lideranças políticas e mais 3 mil militantes. O evento aconteceu no Parque de Exposições e está sendo realizado pela primeira vez após um intervalo de 17 anos.

Jerônimo Rodrigues, Lula e Rui Costa em Salvador | Foto: Ricardo Stuckert

Militantes fizeram bandeirão com a bandeira do Brasil durante evento do MST em Salvador | Foto: reprodução/Instagram (@lulaoficial)

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