Lula: 'Não adianta sonhar e colocar 574 deputados da bancada ruralista'

Em Salvador, Lula criticou tamanho da bancada ruralista contra apenas dois deputados sem-terra no Congresso

Por Juana Castro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (23) que “não adianta sonhar” com mudanças no país sem uma correlação de forças favorável no Congresso Nacional. Durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, Lula criticou a predominância da bancada ruralista e defendeu que integrantes do movimento disputem as eleições.

Segundo o presidente, a baixa representação dos movimentos do campo no Legislativo dificulta o avanço de pautas como a reforma agrária.

"Não adianta a gente sonhar muito e, depois do resultado eleitoral, colocar 574 deputados da bancada ruralista e apenas dois sem-terra eleitos como deputados federais", afirmou. "Ou nós assumimos, ou eles assumem. É muito sério a gente levar a sério o que pode acontecer este ano no Brasil", completou.

Lula criticou predominância de bancada ruralista no Congresso | Foto: Ricardo Stuckert

No evento, realizado no Parque de Exposições, o presidente também comentou o cenário político pós-eleições. De acordo com ele, o país passou oito anos sob os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, período que, segundo sua avaliação, representou retrocessos para os trabalhadores rurais, para a indústria e para o mercado de trabalho.

Lula comparou esse período com os três anos de sua atual gestão e afirmou que essa diferença ajuda a explicar os avanços já alcançados e as conquistas que, segundo ele, ainda podem ocorrer nos próximos anos. "A omissão leva a gente a ver o que aconteceu neste país", declarou.

Lula incentiva participação do MST nas eleições

O presidente disse ainda ter ficado satisfeito ao receber uma lista de integrantes do MST interessados em disputar as eleições de 2026. “Graças a Deus vocês tomaram a decisão de entrar na política. Porque sabe qual é a desgraça de quem não participa da vida política? É que é governado por quem gosta (de política)”, afirmou.

Lula também comentou dificuldades enfrentadas pelo governo na política de reforma agrária. Segundo ele, ao assumir a Presidência, tinha a intenção de “fazer o máximo de assentamentos”, mas esbarrou na falta de estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O presidente sinalizou ainda o desejo de se reunir com movimentos rurais em fevereiro. “Ainda no meio de fevereiro, quero ter uma reunião com o agrupamento do movimento rural nesse País para discutir com mais precisão tudo o que foi feito e para discutir o que precisa ser feito no próximo período neste País”, disse.

Elogios a bancos públicos

No encontro, Lula elogiou a atuação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil no apoio à reforma agrária. “Pela primeira vez, a gente vai ao encontro do Sem Terra aplaudir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, porque no nosso governo, eles funcionam a serviço do povo trabalhador”, afirmou.

Em tempo: Lula prevê distribuição de 300 mil embriões para produtores de leite

Ainda durante o evento, Lula afirmou que o Governo Federal pretende distribuir 300 mil embriões para pequenos produtores de leite em 2026.

“A gente tem interesse de, ainda este ano, distribuir 300 mil embriões para melhorar a qualidade do rebanho leiteiro dos pequenos produtores rurais brasileiros que vivem da produção de leite. E isso é muito mais rápido do que a inseminação. Vou tentar fazer essa experiência lá em Andradina, em São Paulo”, afirmou. Ele ainda citou o financiamento de agroindústrias, como fábricas de leite em pó.

Produção de leite por trabalhadores rurais do MST | Foto Wellington Lenon/MST

Pacote de ações para a reforma agrária

Também no evento, o governo federal anunciou um conjunto de ações para a reforma agrária. As medidas foram detalhadas pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, que já havia antecipado, ao longo da semana, a divulgação de um “grande pacote de desapropriações”.

Segundo o ministro, o governo federal comprou sete fazendas localizadas nos estados de São Paulo, Pernambuco, Pará, Bahia, Maranhão e Sergipe. Também foram desapropriadas seis áreas nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e São Paulo.

De acordo com Paulo Teixeira, foram ainda criados 12 assentamentos nos estados do Pará, Goiás, São Paulo, Sergipe e Acre. Todas as áreas serão destinadas à política de reforma agrária.

+ Ministro de Lula celebra em Salvador acordo histórico da reforma agrária

O pacote inclui ainda a assinatura de um novo convênio entre o governo federal e a Caixa Econômica Federal para a construção de 10 mil moradias em assentamentos rurais em todo o país. O investimento previsto é de R$ 1 bilhão, "o maior da história da reforma agrária" no Brasil, segundo Teixeira.

Lula no encerramento do encontro nacional do MST

O eventou reuniu mais de 3 mil militantes no Parque de Exposições, em Salvador, desde segunda-feira (19). Ele voltou a acontecer após um intervalo de 17 anos.

Desde o início da programação desta sexta, lideranças políticas nacionais e estaduais ligadas à esquerda passaram pelo palco do encontro, reforçando discursos em defesa da democracia, da soberania nacional e das políticas de reforma agrária, além de apoio ao governo federal.

Participaram do evento o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT); os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Márcia Lopes (Mulheres); além do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Mais cedo desta sexta-feira, Lula participou de cerimônias em Maceió (AL), onde entregou unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, além de Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) e ambulâncias do Samu, dentro do programa Agora Tem Especialistas.

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