Número de mortos em ataque dos EUA a escola no Irã sobe para 148; entenda conflito

Subiu para 148 o número de mortos em decorrência do ataque à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã

Por Bruna Castelo Branco.

Subiu para 148 o número de mortos em decorrência do ataque à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. A informação foi divulgada neste domingo (1º) pela mídia estatal iraniana, que também contabiliza 85 feridos.

A instituição foi atingida na manhã de sábado (28). O governo iraniano atribuiu o bombardeio aos Estados Unidos e a Israel, que teriam realizado um ataque coordenado contra o país no mesmo dia. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou o bombardeio como um “ato bárbaro” e “criminoso”, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que a ação “não ficará sem resposta”.

Subiu para 148 o número de mortos em decorrência do ataque à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã. | Foto: Redes Sociais/SBT News

“Não sei por que a administração dos EUA insiste em iniciar uma negociação com o Irã e depois atacar o Irã no meio das negociações. O prédio destruído é uma escola primária para meninas. Foi bombardeado em plena luz do dia, quando estava lotado de jovens alunos. Dezenas de crianças inocentes foram assassinadas só neste local”, disse Araghchi.

Mais cedo, o Exército de Israel afirmou que não tem conhecimento do ataque contra a escola. Já o porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, Tim Hawkins, informou que o país está “ciente de relatos sobre danos a civis resultantes de operações militares em andamento”.

“A proteção dos civis é de extrema importância, e continuaremos tomando todas as precauções para minimizar o risco de danos não intencionais”, disse em comunicado divulgado pela mídia norte-americana.

Autoridades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em Genebra, informaram que mobilizaram equipes para auxiliar no atendimento médico dos feridos.

“A rede de voluntários, com unidades logísticas, serviços médicos, equipes de resposta rápida, busca e salvamento e farmácias foi mobilizada em todo o país. Isso inclui o envio de equipes de resposta após um ataque a uma escola em Minab”, afirmaram.

O que está acontecendo no Irã?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa norte-americana há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama firmou um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã receberia alívio nas sanções.

O acordo, porém, foi abandonado em 2018 pelo então presidente Donald Trump, que argumentou que o pacto era favorável demais ao Irã. Após a decisão, o país deixou de cumprir partes do tratado e elevou o grau de enriquecimento de urânio, material que pode ser utilizado na produção de armas nucleares.

O governo iraniano atribuiu o bombardeio aos Estados Unidos e a Israel. | Foto: Divulgação/Exército israelense

O governo de Joe Biden chegou a tentar retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas as negociações não avançaram.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica — acusação rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados principalmente à produção de energia.

Na última quinta-feira (26), representantes iranianos e norte-americanos se reuniram na Suíça para discutir um novo acordo nuclear. O encontro foi considerado positivo por ambas as partes, que indicaram como próximo passo reuniões técnicas em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica.

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após ataques anteriores. Em retaliação aos bombardeios, que deixaram mais de 200 mortos — incluindo o aiatolá Ali Khamenei —, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Autoridades iranianas também prometeram um ataque direto aos Estados Unidos.

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