Presidente do Irã diz que assassinato de Khamenei é 'declaração de guerra'
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a morte do líder Ali Khamenei representa uma declaração de guerra
Por Bruna Castelo Branco.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a morte do líder supremo Ali Khamenei durante um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel representa uma “declaração de guerra”. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal neste domingo (1º), o líder iraniano prometeu “vingança” e a responsabilização dos autores do ataque.
“O assassinato do grande comandante da comunidade islâmica é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo. A República Islâmica do Irã considera a vingança e a responsabilização dos autores e mandantes deste crime um dever e um direito legítimo”, disse Pezeshkian.

A declaração se soma à reação da Guarda Revolucionária Islâmica, braço das Forças Armadas do Irã, que prometeu “punições severas” aos Estados Unidos e a Israel pelos ataques. Neste domingo, novos mísseis foram lançados contra alvos israelenses e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio, incluindo instalações no Catar. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelo grupo.
A morte de Khamenei, que comandou o Irã por quase quatro décadas, foi confirmada pelo governo na noite de sábado (28). Segundo a mídia estatal, mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações utilizadas pelo líder supremo em Teerã, capital iraniana. Ele foi morto em seu local de trabalho.
Após o ataque, o regime iraniano decretou 40 dias de luto oficial. O país também anunciou o aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino. Ele passa a integrar o Conselho Interino de Liderança, responsável por conduzir o processo de escolha do novo líder supremo do país, ao lado de Pezeshkian e do chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni-Ejei.
Contexto do conflito
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18), em meio às negociações entre Irã e Estados Unidos para um novo acordo nuclear. O bombardeio deixou mais de 200 mortos.
A limitação do programa nuclear iraniano é uma prioridade histórica da política externa de Washington. Em 2015, o então presidente Barack Obama firmou um acordo que restringia as atividades nucleares do país e permitia inspeções internacionais nas instalações.
O pacto foi abandonado em 2018 por Donald Trump, que considerou o acordo favorável demais ao Irã. Após a saída dos EUA, Teerã ampliou o nível de enriquecimento de urânio, material que pode ser utilizado na produção de armas nucleares.

O governo de Joe Biden tentou retomar o acordo, oferecendo alívio em sanções econômicas, mas as negociações não avançaram.
Na última quinta-feira (26), representantes iranianos e norte-americanos voltaram a se reunir na Suíça para discutir um novo acordo, com previsão de continuidade das negociações em Viena, sede da Agência Internacional de Energia Atômica.
No entanto, no sábado, Trump acusou o Irã de retomar ambições nucleares, o que levou a novos bombardeios em parceria com Israel. Em resposta aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
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