Casos de mpox crescem após o Carnaval e chegam a 140 no Brasil
O Brasil registrou 140 casos confirmados de mpox em 2026, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde
Por Bruna Castelo Branco.
Fonte: Emanuelle Menezes - SBT News
O Brasil registrou 140 casos confirmados de mpox em 2026, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde divulgados nesta segunda-feira (9). Além disso, o país contabiliza 9 casos prováveis e 539 suspeitos da doença. Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) confirmou dois casos de Mpox em 2026. Um dos registros é de Vitória da Conquista e o outro, em Salvador.
O aumento das notificações ocorreu logo após o período do Carnaval, o que levanta a hipótese de que as aglomerações tenham contribuído para a transmissão do vírus. Apesar do crescimento dos registros, especialistas afirmam que o cenário ainda está distante de representar uma pandemia.

Entre os 149 casos confirmados e prováveis, a maior parte foi registrada em São Paulo (93) e no Rio de Janeiro (18). Outros estados também apresentam ocorrências, como Minas Gerais (11) e Rondônia (11).
Não há óbitos registrados neste ano. Em 2025, o Ministério da Saúde contabilizou 1.079 casos de mpox no país, com dois óbitos.
Casos cresceram após o Carnaval
Dados epidemiológicos do Ministério da Saúde indicam aumento das notificações nas semanas seguintes às festas. Em 2026, o Carnaval ocorreu entre 14 e 17 de fevereiro. Naquela semana (semana epidemiológica 7), foram registrados 15 casos de mpox.
Já na semana epidemiológica 9, entre 1º e 7 de março, foram contabilizados 27 casos — um aumento de 80%.
Para o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Universidade de São Paulo (USP), o crescimento pode estar relacionado ao período de incubação do vírus e ao maior contato entre pessoas durante a folia.
"A doença tem um período de incubação de até 21 dias, ou seja, três semanas. A pessoa se infecta e pode levar três semanas para ter sintomas. Isso coincide perfeitamente com o Carnaval", afirmou em entrevista ao News Primeira Edição.
Segundo ele, o aumento das interações sociais típicas dessa época pode explicar parte das novas infecções registradas nas semanas seguintes.
Apesar do alerta internacional após a Organização Mundial da Saúde identificar uma nova variante do vírus mais transmissível na África, o especialista afirma que o cenário atual no Brasil não indica risco de pandemia.
"Não tem comparação com o que a gente vê com o Covid. Não tem uma taxa de transmissão tão eficiente, não tem um número de casos tão grande", disse Brandão. "Não há uma perspectiva de que vá se tornar uma pandemia", acrescentou.

O que é a mpox
A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica, ou seja, pode ser transmitida de animais para humanos — principalmente por roedores silvestres infectados. Atualmente, porém, a principal forma de transmissão ocorre entre pessoas.
De acordo com o Ministério da Saúde, o contágio acontece principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais — como pus e sangue das feridas — e secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado. Também é possível a infecção por meio de objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
Sintomas, diagnóstico e tratamento
Os sintomas da mpox costumam aparecer entre três e 16 dias após o contato com o vírus, podendo chegar a 21 dias. As lesões na pele geralmente surgem poucos dias depois da febre, mas podem aparecer antes.
Os sinais mais comuns são:
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Erupções ou lesões na pele;
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Febre;
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Ínguas (linfonodos inchados);
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Dor de cabeça;
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Dores no corpo;
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Calafrios;
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Fraqueza.
A transmissão do vírus pode ocorrer desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas.
Não há, até o momento, um medicamento específico amplamente disponível para tratar a doença. O atendimento é voltado para aliviar os sintomas. Na maioria dos casos, a enfermidade evolui de forma leve a moderada e dura entre duas e quatro semanas.

A vacinação, segundo o Ministério da Saúde, é direcionada a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Podem se vacinar:
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Pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais;
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Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus;
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Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância em saúde.
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