Linfoma não Hodgkin de células B: entenda o câncer enfrentado por Netinho
Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos
Por Bruna Castelo Branco.
O cantor Netinho, conhecido pelos sucessos “Milla” e “Baianidade Nagô, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, segundo comunicado divulgado pela assessoria. Nos últimos meses, o artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, conforme a nota.
A família informou que o velório e a cremação serão restritos a familiares e amigos próximos, por desejo do próprio cantor. No comunicado, a equipe também pediu respeito à privacidade das pessoas próximas ao artista.

O diagnóstico de Netinho chama a atenção para o linfoma não Hodgkin, um grupo de cânceres que afetam o sistema linfático e apresentam diferentes características, sintomas e formas de tratamento.
O que é o linfoma não Hodgkin de células B?
O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, parte do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo. A doença reúne diferentes tipos de tumores, classificados de acordo com as células afetadas e suas características.
Nos linfomas de células B, o câncer se origina nos linfócitos B, células que participam da resposta imunológica e ajudam o organismo a combater infecções.
Segundo o Instituto Oncoguia, os linfomas de células B representam cerca de 85% dos casos de linfoma não Hodgkin. Entre os subtipos estão o linfoma difuso de grandes células B, o linfoma folicular e o linfoma de células do manto.

A velocidade de progressão varia conforme o subtipo. O linfoma folicular, por exemplo, costuma apresentar crescimento lento, enquanto o linfoma difuso de grandes células B geralmente tem evolução mais rápida.
Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?
Os sintomas variam de acordo com o tipo de linfoma e as regiões do corpo afetadas. Entre os principais sinais que precisam de avaliação médica estão:
- Aumento dos gânglios linfáticos: caroços geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha, popularmente conhecidos como ínguas.
- Suor noturno excessivo: transpiração intensa durante o sono, capaz de molhar roupas e lençóis.
- Febre sem causa aparente: episódios persistentes ou recorrentes sem uma explicação identificada.
- Perda de peso inexplicada: emagrecimento sem mudanças na alimentação ou na rotina que justifiquem a alteração.
- Cansaço e fraqueza: sensação persistente de indisposição.
- Coceira na pele: manifestação que pode ocorrer em alguns casos.
Outros sintomas podem surgir dependendo dos órgãos comprometidos pela doença.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) ressalta que esses sinais também podem estar relacionados a outras condições e, isoladamente, não confirmam um diagnóstico de câncer. A persistência das manifestações, no entanto, deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Como é feito o diagnóstico?
A investigação do linfoma não Hodgkin envolve avaliação clínica e exames específicos. Um dos principais procedimentos é a biópsia, que consiste na retirada de uma amostra de tecido, geralmente de um gânglio linfático aumentado, para análise laboratorial.
O exame permite identificar a presença do câncer e determinar características importantes para a classificação do linfoma. Exames de imagem e análises laboratoriais também podem ser solicitados para avaliar a extensão da doença e orientar a escolha do tratamento.
A definição do subtipo é fundamental porque os linfomas não Hodgkin apresentam comportamentos diferentes e podem exigir abordagens terapêuticas distintas.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do subtipo do linfoma, da extensão da doença, da velocidade de progressão e das condições clínicas do paciente.
Entre as opções utilizadas estão:
- Quimioterapia: uso de medicamentos que combatem as células cancerígenas.
- Imunoterapia: tratamentos que estimulam ou direcionam o sistema imunológico para combater o câncer.
- Quimioimunoterapia: combinação de quimioterapia com medicamentos de imunoterapia.
- Radioterapia: utilização de radiação para destruir células cancerígenas em determinadas regiões.
- Acompanhamento clínico: em alguns linfomas de crescimento lento, o médico pode recomendar monitoramento periódico antes de iniciar o tratamento, conforme as características da doença.
A escolha da abordagem deve ser individualizada e conduzida por uma equipe especializada.
No caso de Netinho, a assessoria informou que o linfoma não Hodgkin do tipo B evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. O comunicado, porém, não detalhou o tratamento realizado pelo cantor nem os mecanismos que levaram às complicações.
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