Outubro Rosa: câncer de mama também atinge mulheres jovens? Veja sinais de alerta
Aos 25, 30 ou 35 anos, um nódulo na mama pode parecer menos preocupante porque o câncer de mama é mais frequente após os 50 anos
Por Bruna Castelo Branco.
Aos 25, 30 ou 35 anos, um nódulo na mama pode parecer menos preocupante porque o câncer de mama é mais frequente após os 50 anos. No entanto, a idade não elimina o risco de desenvolver a doença, e alterações suspeitas precisam ser investigadas independentemente da faixa etária. O alerta ganha destaque durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama.
Entre 2018 e 2023, mais de 108 mil brasileiras com menos de 50 anos receberam o diagnóstico da doença. O número equivale a aproximadamente uma em cada três mulheres diagnosticadas no período, segundo levantamento do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com base em dados do Painel Oncologia Brasil.
+ Câncer de mama: Hospital Aristides Maltez promove curso de atualização em Salvador
+ Outubro Rosa oferece cortes gratuitos e coleta de cabelos para doação em Salvador

Embora cerca de quatro em cada cinco casos ocorram após os 50 anos, mulheres mais jovens também precisam conhecer os sinais de alerta e procurar atendimento ao perceber mudanças nas mamas. Isso porque a ideia de que a doença atinge apenas pessoas mais velhas pode atrasar a investigação de sintomas.
Quais sinais podem indicar câncer de mama?
O aparecimento de um nódulo é um dos principais sinais de alerta. Geralmente, o caroço associado à doença é endurecido, fixo e indolor, mas pode apresentar outras características. Além disso, nem todo nódulo é câncer: cistos e fibroadenomas, por exemplo, são alterações benignas comuns.
Outros sinais que merecem avaliação médica incluem:
- Alterações na pele: retrações, vermelhidão, inchaço ou textura semelhante à casca de laranja;
- Mudanças no mamilo: retração ou inversão recente;
- Secreção espontânea: saída de líquido pelo mamilo, especialmente se for transparente ou sanguinolento;
- Mudanças no formato ou tamanho: alterações recentes em uma das mamas;
- Nódulos na axila: caroços persistentes que podem corresponder a linfonodos aumentados;
- Alterações persistentes na aréola: descamação, crostas ou feridas que não cicatrizam.
Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliados por um profissional de saúde. A recomendação vale também para mulheres que não têm casos da doença na família.
+ Outubro Rosa Pet: faculdade oferece atendimento para cães e gatos em Salvador e Feira de Santana
+ Anvisa aprova primeiro medicamento oral para câncer de mama metastático no Brasil

Mulheres jovens precisam fazer mamografia?
A recomendação depende da idade, da presença de sintomas e dos fatores de risco. É importante diferenciar o rastreamento, realizado em pessoas sem sinais da doença, da investigação diagnóstica, indicada quando existe uma alteração suspeita.
Segundo as recomendações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o rastreamento populacional de rotina é indicado para mulheres de 50 a 74 anos, com mamografia a cada dois anos.
Desde setembro de 2025, mulheres de 40 a 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem sintomas, mediante avaliação e decisão compartilhada com um profissional de saúde, após orientação sobre os benefícios e possíveis riscos do exame.

Isso não significa, porém, que mulheres com menos de 40 anos devam esperar até atingir essa idade para investigar um sintoma. Quando há suspeita, o profissional avalia a necessidade de exames conforme a idade, as características da alteração e o histórico clínico. Dependendo do caso, a investigação pode incluir ultrassonografia, mamografia ou outros procedimentos.
A ausência de indicação para mamografia de rastreamento em mulheres muito jovens não significa ausência de risco. Por isso, diante de um nódulo novo ou de outra mudança persistente, a orientação é procurar uma unidade de saúde.

Histórico familiar merece atenção
Mulheres com familiares que tiveram câncer de mama ou de ovário, especialmente em idades jovens, devem informar esse histórico ao profissional de saúde. Casos de câncer de mama em homens na família também podem ser relevantes para a avaliação do risco hereditário.
De acordo com o INCA, entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama estão relacionados a fatores hereditários. Ainda assim, não ter parentes diagnosticados não elimina a possibilidade de desenvolver a doença.
A avaliação individual ajuda a identificar quem pode precisar de acompanhamento diferenciado ou de exames em intervalos específicos, conforme a orientação médica.

Diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, depois do câncer de pele não melanoma. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, o INCA estima 78.610 novos casos no país. Em 2024, foram registradas 20.849 mortes pela doença, segundo dados do instituto.
O estágio em que o tumor é identificado influencia as possibilidades de tratamento. Em geral, a descoberta em fases iniciais permite intervenções menos complexas e está associada a melhores perspectivas de controle da doença. Já os diagnósticos em fases avançadas podem exigir tratamentos mais intensivos.

Por isso, a conscientização não deve se limitar à realização de exames de rotina. Conhecer o próprio corpo, observar mudanças e buscar atendimento diante de sinais suspeitos também são medidas importantes.
Durante o Outubro Rosa, a principal mensagem para mulheres de todas as idades é que não é necessário ter 50 anos para investigar uma alteração na mama. A idade orienta as recomendações de rastreamento, mas sintomas suspeitos devem ser avaliados sem demora.
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
