Sesab aponta 26 casos de complicações em clínica oftalmológica na Bahia
Ao menos 26 pacientes tiveram complicações após tratamento de doenças oculares em clínica oftalmológica em Irecê
A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) confirmou que ao menos 26 pacientes sofreram complicações após procedimentos oftalmológicos realizados em uma clínica particular em Irecê, no norte da Bahia. O episódio chama atenção após 13 pacientes perderem a visão em um mutirão de cirurgias de catarata realizado em Salvador.
Os atendimentos ocorreram entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, no Hospital Ceom. No total, foram realizados 143 procedimentos de terapia antiangiogênica (TAG), que consiste na aplicação do medicamento Avastin (bevacizumabe) para o tratamento de doenças oculares.

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Dos 26 afetados, 23 são pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os sintomas e diagnósticos relatados estão: hiperemia ocular, ardência e endoftalmite (infecção ocular que, se não tratada com urgência, pode causar a perda irreversível da visão).
A Sesab negou envolvimento na promoção de qualquer mutirão de saúde no município durante o período citado. Segundo o órgão, a regulação estadual havia encaminhado apenas 81 pacientes para consultas na unidade entre janeiro e fevereiro de 2026.
Diante das irregularidades, a Sesab interrompeu o envio de pacientes à unidade. Uma vistoria técnica no local constatou que os medicamentos eram armazenados fora da temperatura ideal, além de identificar que a equipe não seguia os protocolos de segurança exigidos. Amostras dos insumos foram enviadas para análise em laboratório
O que diz o hospital
Em resposta, o Hospital Ceom informou que realizou um volume muito maior de atendimentos no período , cerca de 643 procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos, e sustenta que todos seguiram critérios médicos rigorosos e exames prévios.
A unidade confirmou que 24 pacientes submetidos à terapia apresentaram intercorrências no acompanhamento pós-procedimento.
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Confira a nota da unidade na íntegra:
"O Hospital Ceom, em Irecê, informou a atualização dos dados sobre eventos adversos registrados após procedimentos de terapia antiangiogênica realizados em pacientes com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) ou retinopatia diabética (RD), nos dias 28 de fevereiro e 1º de março de 2026.
De acordo com a unidade, foram realizados 643 procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos nesse período, todos seguindo critérios médicos estabelecidos na literatura e com a realização de exames prévios específicos. Entre os pacientes submetidos à terapia antiangiogênica, 24 apresentaram intercorrências no acompanhamento imediato após o procedimento. Esses casos seguem sob monitoramento contínuo da equipe assistencial.
A terapia antiangiogênica, também conhecida como anti-VEGF, consiste em uma injeção intravítrea aplicada no olho para bloquear o crescimento de vasos sanguíneos anormais e reduzir o vazamento de fluidos na retina. O tratamento é indicado para doenças graves que podem causar perda de visão, como a forma úmida da DMRI, edema macular diabético, retinopatia diabética proliferativa e oclusões vasculares da retina.
O hospital informou ainda que todos os pacientes seguem em acompanhamento ativo, com assistência integral, incluindo avaliações especializadas, uso de medicamentos e monitoramento da evolução clínica. Segundo a unidade, parte significativa dos pacientes já apresenta melhora progressiva.
No âmbito interno, o Ceom concluiu uma auditoria detalhada dos prontuários relacionados aos atendimentos, com análise técnica dos registros clínicos, condutas adotadas e fluxos assistenciais. Os documentos estão sendo organizados e disponibilizados aos pacientes interessados, como medida de transparência e garantia de acesso às informações.
Paralelamente, seguem as apurações técnicas conduzidas pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e pelos órgãos de vigilância em saúde, além de diligências relacionadas à rastreabilidade dos insumos utilizados.
Com 24 anos de atuação e mais de 25 mil procedimentos realizados nos últimos quatro anos, o Hospital Ceom afirma manter o compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência e a apuração rigorosa dos fatos."
Caso Clivan: mutirão de catarata em Salvador completa um mês sob investigação

Após mais de um mês, segue sob investigação, a situação de um mutirão de cirurgias de catarata, realizado, em Salvador, que ocasionou perda de visão em 13 pessoas. Os procedimentos foram feitos, no último dia 26 de fevereiro e depois das ocorrências, 15 denúncias foram registradas na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) contra a Clivan, clínica responsável pelos procedimentos.
Segundo informações da Polícia Civil, a unidade continua com diligências investigativas para apurar os casos de lesão corporal culposa. As vítimas que formalizaram o registro, já foram ouvidas pela especializada e depoimentos a fim de esclarecer as circunstâncias das ocorrências estão em andamento.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informou que a pasta segue acompanhando os pacientes submetidos ao mutirão. Ao todo, 26 pacientes permanecem em acompanhamento pela rede pública de saúde, sem previsão de alta neste momento.
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