PM acusado de atirar em motorista tem novo pedido de liberdade negado pela Justiça
Policial responde por lesão corporal grave e constrangimento ilegal após atingir motorista durante briga de trânsito em Salvador; decisão manteve a prisão preventiva
Por Victor Hernandes.
A Justiça da Bahia negou um novo pedido de liberdade apresentado pela defesa do policial militar Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim, acusado de atirar contra um motorista durante uma briga de trânsito em Salvador. Com a decisão, a prisão preventiva do agente foi mantida.

O policial responde pelos crimes de lesão corporal grave e constrangimento ilegal após atingir Cirilo Marques com disparos de arma de fogo durante uma discussão ocorrida em julho deste ano. Ele foi preso em 2 de setembro.
A decisão foi proferida pela juíza Letícia Fernandes Silva Freitas, da 6ª Vara Criminal da Comarca de Salvador. O documento foi acessado pelo Aratu On na tarde desta terça-feira (3).
Ao justificar a manutenção da prisão, a magistrada considerou a gravidade da ocorrência, que envolveu disparos em via pública durante um horário de intensa circulação de pedestres. A vítima sofreu ferimentos graves e precisou passar por intervenções cirúrgicas de alta complexidade.
Defesa alegou apresentação voluntária e condições familiares
Na tentativa de obter a liberdade do policial, os advogados apresentaram novos pedidos de revogação da prisão preventiva ou de substituição da medida por cautelares alternativas. Entre os argumentos, a defesa destacou que Rodrigo teria se apresentado voluntariamente à Corregedoria da Polícia Militar da Bahia e à autoridade policial antes de ser preso.
Os advogados também citaram condições pessoais consideradas favoráveis, como bons antecedentes, comportamento excepcional na corporação, residência fixa e a responsabilidade pelo sustento de três filhos.
Outro ponto apresentado foi a situação de saúde da filha mais velha do policial, diagnosticada com uma grave enfermidade hematológica e que depende de tratamento. A defesa sustentou que a condição familiar deveria ser considerada na análise do pedido de liberdade.
Além disso, os representantes do militar alegaram excesso de prazo na manifestação do Ministério Público e desproporcionalidade entre a prisão preventiva e o regime de pena que poderia ser aplicado em caso de condenação.
Juíza aponta gravidade da ocorrência e risco de novas infrações
Ao analisar os pedidos, a juíza acompanhou o parecer do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e decidiu manter a prisão preventiva. Na decisão, a magistrada ressaltou que a apresentação voluntária do policial e a existência de antecedentes favoráveis não afastam, por si só, a necessidade da prisão quando estão presentes os requisitos legais para a garantia da ordem pública.
O documento também destacou que a condição de policial militar do acusado aumenta a gravidade do caso, uma vez que os agentes de segurança pública têm o dever de proteger a população, e não utilizar armas para cometer atos violentos.
Outro fundamento citado foi o risco de reiteração delitiva. Segundo informações apresentadas pelo Ministério Público no processo, existem registros de medidas protetivas de urgência concedidas anteriormente contra o policial, relacionadas a ameaças com arma de fogo e perseguição à ex-companheira.
Também foram mencionadas investigações relacionadas a crimes contra a vida. Para a Justiça, esse histórico indicaria que a aplicação de medidas cautelares diferentes da prisão seria insuficiente para evitar novos episódios.
Justiça rejeita prisão domiciliar por doença da filha
Sobre o pedido relacionado à condição de saúde da filha do policial, a decisão apontou que não foi comprovado que Rodrigo seria o único responsável pelos cuidados da jovem ou que não existiria suporte materno ou familiar disponível.
Dessa forma, a magistrada afastou a possibilidade de substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar com base nesse argumento. A alegação de excesso de prazo também foi rejeitada. Conforme a decisão, a ação penal segue tramitação regular e a denúncia foi recebida em curto período.
Com isso, Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim permanecerá preso preventivamente enquanto responde ao processo criminal.

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