Suspeito de queimar companheira grávida na Bahia tem prisão mantida após audiência de custódia
Saymon Santos Silva, de 18 anos, é investigado por tentativa de feminicídio contra Paloma da Silva Gomes, de 21, em Vitória da Conquista; jovem estava grávida quando foi atacada
Por Victor Hernandes.
A Justiça da Bahia manteve a prisão preventiva de Saymon Santos Silva, de 18 anos, suspeito de tentar matar a companheira, Paloma da Silva Gomes, de 21, ao atear fogo no corpo dela, em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado. A jovem estava grávida quando foi vítima do ataque.

A decisão foi confirmada nesta terça-feira (3), após audiência de custódia realizada na tarde de segunda-feira (2). Conforme documento obtido pelo Aratu On, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) analisou a situação do investigado e determinou que ele permaneça preso.
A prisão preventiva já havia sido decretada anteriormente, mas foi mantida após a análise judicial durante a audiência de custódia. A decisão também estabeleceu orientações para o andamento do procedimento criminal. Caso o prazo legal termine sem a conclusão do inquérito policial ou sem o oferecimento da denúncia, os autos deverão ser encaminhados novamente à juíza, com urgência.
Se a ação penal for formalizada, o processo deverá ser atualizado com os novos documentos, incluindo o registro no Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP).
Suspeito de tentativa de feminicídio foi preso após se apresentar à polícia
Saymon Santos Silva foi preso na quinta-feira (29), após se apresentar à Delegacia de Homicídios de Vitória da Conquista. Ele é investigado por tentativa de feminicídio.
De acordo com a Polícia Civil, o crime teria ocorrido após uma discussão entre o casal. As investigações reuniram informações médicas e outros elementos que apontaram indícios de autoria. Com base nas apurações, a corporação solicitou a prisão preventiva do suspeito, medida autorizada pela Justiça.
Bahia registrou mais de 10 mil denúncias de violência doméstica em um ano
O caso ocorre em meio ao aumento dos registros de violência doméstica na Bahia. Entre março de 2025 e março de 2026, o Ministério Público do Estado (MP-BA) contabilizou mais de 10 mil denúncias desse tipo de crime.
O número representa um crescimento em relação ao período anterior, quando foram registrados 8.106 casos. No mesmo intervalo, também foram formalizadas 247 denúncias de feminicídio no estado.
Segundo o MP-BA, as denúncias buscam responsabilizar os autores e garantir uma resposta institucional à violência contra mulheres, que pode envolver agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, frequentemente ocorridas no ambiente doméstico.
Para o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), promotor de Justiça Adalto Araújo, o enfrentamento desse cenário exige mobilização coletiva.
“Acreditamos que essa luta diária, somada ao esforço de toda a comunidade, pode ajudar a transformar a sociedade, para que toda mulher possa viver num mundo de mais equidade e paz”, afirmou.
No mesmo período, o MP-BA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas. Já o Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid) realizou mais de mil atendimentos a vítimas em 2025, com suporte jurídico, psicossocial e encaminhamento para a rede de proteção.

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