'Rainha do Sul': MP-BA acusa advogada de integrar organização ligada ao BDM

Advogada investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na Operação Rainha do Sul está presa desde novembro de 2025, em Salvador

Por Anna Caroline Santiago.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) denunciou a advogada Poliana França Gomes, conhecida como “Rainha do Sul”, por suposta participação na facção criminosa Bonde do Maluco (BDM). Presa em novembro de 2025, em Salvador, ela é apontada pelas investigações como peça-chave na articulação de atividades ligadas ao tráfico de drogas, violência armada e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Poliana exercia um papel central na estrutura da facção, atuando como elo de comunicação entre a liderança do grupo e os integrantes que permaneciam em liberdade.

'Rainha do Sul': MP-BA acusa advogada de integrar organização ligada ao BDM.Foto: Reprodução

Articulação da advogada no crime

As investigações policiais indicam que a advogada era responsável por funções estratégicas dentro da organização criminosa, entre elas a transmissão de ordens, a reorganização de territórios dominados, a articulação de cobranças financeiras e a mediação direta entre líderes presos e membros soltos.

Segundo a denúncia, foram realizadas diversas diligências para apurar a autoria e a materialidade dos crimes, o que teria comprovado a existência de uma organização criminosa estruturalmente ordenada, voltada à obtenção de vantagens patrimoniais, diretas ou indiretas, por meio do tráfico de drogas e de outros delitos correlatos.

Relacionamento com liderança

A Polícia Civil também aponta que Poliana mantinha um relacionamento íntimo com Leandro de Conceição Santos Fonseca, conhecido como “Shantaram”, apontado como chefe da facção. Ele está custodiado no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, no nordeste baiano.

Mesmo encarcerado, Shantaram continuaria exercendo influência sobre o grupo criminoso. Conforme a investigação, Poliana seria o principal canal de comunicação que permitia ao líder ditar diretrizes e coordenar ações da facção fora do sistema prisional.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foi apreendido com a advogada um colar de ouro e diamantes. A joia traz as iniciais “RS” e o apelido “Querido”, associados a Leandro de Conceição. 

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Colar apreendido com suposta advogada do BDM tem apelido de chefe de facção.Foto: Reprodução

Modus operandi

Ainda segundo a polícia, o grupo utilizava aplicativos de mensagens para coordenar atividades ilícitas, arrecadar valores periódicos conhecidos como “caixinha” e controlar o fluxo financeiro da organização. As apurações indicam também que a denunciada utilizava pessoas interpostas para lavagem de dinheiro, além de empregar recursos ilícitos na aquisição de joias de alto valor, que foram apreendidas durante a operação.

Outros presos durante a Operação Rainha Sul

Outras operações na Bahia

Ao todo, 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão já foram cumpridos. Entre os alvos estão responsáveis pela contabilidade do tráfico, gerentes territoriais que comandavam áreas em Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari, Salvador e outras cidades baianas, além de operadores encarregados do transporte, armazenamento e distribuição de drogas e armas.

A ofensiva inclui ainda o bloqueio de bens, veículos, imóveis e contas bancárias vinculadas aos investigados. Até o momento, foram bloqueados sete automóveis, um jetski, um haras com cavalos de raça e uma usina de energia solar avaliada em cerca de R$ 1 milhão.

Há bloqueios de contas e investimentos ligados a 26 CPFs e CNPJs, podendo ultrapassar R$ 100 milhões.

Polícia Militar da Bahia: desafios, ações e combate ao crime em Salvador.Foto: Divulgação | PMBA

 

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