Suspeito de feminicídio foi preso por agressão e solto antes do crime

Iana Silva Santos foi assassinada dentro de casa, nesta quarta-feira (21), pelo ex-companheiro que havia sido condenado e solto por agredir a vítima em fevereiro

Por Laraelen Oliveira.

Uma mulher de 25 anos, identificada como Iana Silva Santos foi morta a facadas dentro de casa na manhã desta quarta-feira (21), em Salvador. A vítima possuía uma medida protetiva contra o ex-companheiro, apontado pelos parentes da jovem como principal suspeito do crime. O homem havia sido preso em fevereiro deste ano por agredi-la, porém ficou em liberdade no último dia 7 de maio após decisão judicial. 

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O Brasil registrou mais de 1.400 casos de feminicídio em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Foto: Redes Sociais 

O suspeito, identificado como Jonatas dos Santos Moreira, foi condenado através da Justiça da Bahia pelo crime de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra Iana. Embora tenha sido condenado, a prisão preventiva dele foi revogada e ele passou a responder em liberdade. 

Vítima de feminicídio era mecânica e foi morta a facadas

Iana Silva Santos trabalhava como mecânica em uma empresa de ônibus de Salvador. Segundo familiares da vítima, o suspeito invadiu a residência da vítima, no bairro de Coutos, e desferiu golpes de faca, fugindo logo em seguida. 

Vizinhos e parentes entraram na casa depois de ouvirem gritos e encontraram a jovem ferida no chão. Ela chegou a ser socorrida para o Hospital do Subúrbio, mas não resistiu. Os familiares acreditam que o suspeito entrou pelo telhado da casa e fugiu pela janela, mas os detalhes do crime ainda serão investigados pela Polícia Civil (PC).

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários lamentou a morte da jovem. "Nos solidarizamos com familiares, amigos e companheiros(as) neste momento de dor e reafirmamos nosso repúdio a toda forma de violência contra a mulher".

 

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Iana Silva Santos tinha 25 anos, trabalhava como mecânica e construía sua independência profissional em uma área ainda marcada pela predominância masculina/Foto: Redes Sociais

A Polícia Civil informou que o caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH). Diligências são realizadas com o objetivo de localizar o suspeito.

Suspeito foi condenado, preso e solto antes de cometer feminicídio 

A denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirma que as agressões de Jonatas contra Iana ocorreram durante a madrugada de 13 de fevereiro de 2026, por volta das 4h, na casa da vítima.

Em depoimento à Justiça, Iana relatou que o relacionamento havia terminado dias antes e que o ex-companheiro não aceitava a separação. Segundo ela, o homem insistia em reatar a relação e chegou a afirmar que, “se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém”.

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A Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas de urgência para mulheres em situação de violência doméstica/Foto: Alô Juca 

A vítima contou que dormia quando percebeu a presença do suspeito dentro do quarto.

“A porta estava toda fechada. Tanto o portão da entrada quanto a porta da casa e do quarto. Quando eu vi, ele já estava dentro do quarto”, disse.

Ainda conforme o depoimento, as agressões começaram imediatamente. “Ele já estava sem a farda do trabalho, com roupa comum e me agredindo. Eu sem reação nenhuma.”

Iana afirmou que o ex-companheiro desferiu socos e chutes principalmente no rosto.

“Ele me batia querendo deformar minha face, como conseguiu deformar. Me dava chute e soco na cara. Quando eu caía no chão, ele chutava minha cabeça.”

De acordo com o processo, a jovem apresentou edema traumático, hematomas nos dois olhos, ferimentos nos lábios e diversos traumas na região do rosto. Exames anexados aos autos identificaram fratura cominutiva no assoalho orbitário direito, desalinhamento ósseo e comprometimento facial.

Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda através do Ligue 180, canal gratuito e disponível 24 horas em todo o Brasil para denúncias, orientações e acolhimento/Foto: Reprodução

Durante o interrogatório, Jonatas admitiu ter agredido a vítima, mas afirmou ter agido em legítima defesa. A justificativa, no entanto, foi rejeitada pela Justiça, que considerou incompatível a versão apresentada pelo acusado diante da gravidade das lesões.

Ao final do julgamento, Jonatas foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto e ao pagamento de indenização no valor de um salário mínimo à vítima.

Na sentença, o magistrado revogou a prisão preventiva. Segundo o juiz, a definição do regime aberto afastava, naquele momento, a necessidade de uma nova prisão preventiva. A execução da pena também foi suspensa por dois anos, condicionada ao cumprimento de medidas impostas pela Justiça.

Outras casos 

Mulher é esfaqueada pelo ex-companheiro ao tentar deixar residência em Salvador

Uma mulher identificada como Miriã foi vítima de uma agressão a faca na Rua Cleriston Andrade, no bairro de Sete de Abril, em Salvador. O principal suspeito do crime é o ex-namorado da vítima, Adrian Gomes Pinheiro, que fugiu após o ataque.

Devido às lesões aparentes apresentadas a mulher foi encaminha inicialmente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA)/Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Segundo informações da mulher, ela tentava deixar a residência onde vivia por temer pela própria vida devido ao comportamento agressivo do suspeito. Após a agressão, Miriã foi socorrida e encaminhada inicialmente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), por conta das lesões apresentadas.

Polícia prende suspeitos de assassinato de grávida após quatro anos de fuga na Bahia

A Polícia Civil da Bahia prendeu um homem e uma mulher investigados pelo homicídio qualificado de uma mulher grávida ocorrido em 2022, no município de Presidente Tancredo Neves, no baixo sul do estado.

As prisões aconteceram durante a Operação Ventre, conduzida pela Delegacia Territorial de Presidente Tancredo Neves com apoio do Núcleo de Inteligência da 5ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Valença).

Os suspeitos estavam foragidos há cerca de quatro anos e tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos durante a ação policial.

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