Violência doméstica cresce e ultrapassa 10 mil denúncias em um ano

Feminicídios chegam a 247 casos no mesmo período na Bahia; autoridades destacam urgência de ações preventivas e conscientização

Por Laraelen Oliveira.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) registrou mais de 10 mil denúncias de violência doméstica entre março de 2025 e março de 2026. O número representa um aumento significativo em relação ao período anterior, que contabilizou 8.106 casos. A maioria das vítimas é composta por mulheres. No mesmo intervalo, foram formalizadas 247 denúncias por feminicídio no estado.

A violência doméstica costuma seguir um ciclo: tensão, agressão e reconciliação. Esse padrão pode se repetir diversas vezes, dificultando que a vítima rompa o relacionamento/Foto: Reprodução

Segundo o órgão, as denúncias têm como objetivo responsabilizar os autores e oferecer uma resposta institucional à violência extrema contra mulheres, que inclui agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, geralmente ocorridas no ambiente doméstico. Para o coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal (Caocrim), promotor de Justiça Adalto Araújo, o enfrentamento dessa realidade exige mobilização coletiva. “Acreditamos que essa luta diária, somada ao esforço de toda a comunidade, pode ajudar a transformar a sociedade, para que toda mulher possa viver num mundo de mais equidade e paz”, afirmou.

Medidas protetivas e atendimento às vítimas

No mesmo período, o MP-BA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas. O Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres (Nevid) realizou mais de mil atendimentos a vítimas em 2025, oferecendo suporte jurídico, psicossocial e encaminhamento para a rede de proteção.

No Brasil, vítimas ou testemunhas podem denunciar casos de violência pelo telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), com atendimento gratuito e sigiloso 24 horas/Foto: Divulgação 

A promotora de Justiça Sara Gama, coordenadora do núcleo, alertou para a gravidade dos dados. “Os números são alarmantes, sobretudo quando observamos que cada número ali dentro das estatísticas se refere a vidas ceifadas, sonhos rompidos, crianças que são levadas à orfandade”, declarou. Ela também destacou que muitos feminicídios estão relacionados à recusa de mulheres em manter relacionamentos abusivos.

A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor, proibição de contato e proteção policial quando necessário/Foto: Reprodução

Sara Gama reforçou a necessidade de ampliar ações preventivas. “Este é um movimento que precisa ser intensificado por todas as instituições. Nosso papel vai além da responsabilização criminal: inclui também conscientização e educação para prevenir novos casos”, explicou.

Ações de conscientização e prevenção

Durante o mês de março, o MP-BA intensificou iniciativas educativas em diferentes cidades do estado. Em Itapetinga, a promotora Solange Anatólio do Espírito Santo promoveu debates sobre violência doméstica, Lei Maria da Penha e machismo estrutural em escolas públicas e privadas de municípios como Vitória da Conquista, Macarani e Itororó. As atividades foram direcionadas a jovens entre 14 e 18 anos.

Além da agressão física, a violência pode ser psicológica, moral, sexual e patrimonial, muitas vezes difíceis de identificar, mas igualmente graves/Foto: Freepik 

“O objetivo central é apresentar e discutir a violência doméstica e familiar contra a mulher como um problema social grave, estrutural e historicamente construído, diretamente relacionado ao machismo estrutural, capacitando esses jovens para reconhecer situações de violência, romper padrões culturais discriminatórios e atuar como agentes multiplicadores de informação em suas comunidades”, destacou a promotora.

Outras ações também foram realizadas em Feira de Santana, com eventos que incluíram debates e apresentações culturais, e em Juazeiro, onde rodas de conversa abordaram os desafios enfrentados por mulheres no mercado de trabalho e na sociedade.

O projeto Baralho do Crime Lilás, criado pelo Governo da Bahia, divulga imagens e informações de suspeitos de crimes contra mulheres para incentivar denúncias anônimas e acelerar a captura de agressores/Foto: Douglas Amaral

O Nevid também desenvolve o projeto “Luto por Elas”, que recebeu o ‘Selo Pacto pela Mulher’ da Prefeitura de Salvador. A iniciativa busca prevenir a violência de gênero e incentivar a participação de homens como agentes de mudança.

As ações reforçam que, além da punição, o enfrentamento à violência contra a mulher passa pela educação, conscientização e transformação cultural, um esforço contínuo que depende da atuação conjunta de instituições e da sociedade.

Confira 11 redes de apoio a mulheres vítimas de violência na Bahia

Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na Bahia podem contar com uma rede de serviços gratuitos de apoio jurídico, psicológico e social, disponíveis tanto em Salvador quanto em cidades do interior do estado. O Aratu On produziu uma lista com todos os locais e serviços oferecidos pelas seguintes redes:

  • Salas “Elas à Frente”
  • Casa da Mulher Brasileira
  • Ronda Maria da Penha
  • Projeto “Luto por Elas”
  • Delegacia Virtual
  • Tribunal de Justiça da Bahia
  • Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram)
  • Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem)
  • Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem)
  • Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam)
  • Coordenadoria Estadual das Mulheres

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