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Brasileiros usam IA para falar sobre sentimentos e pedir diagnósticos de saúde, diz pesquisa

No Brasil, cerca de um terço da população já utiliza a IA no cotidiano

Por Bruna Castelo Branco.

Nos últimos anos, as ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa passaram a fazer parte dos debates públicos em todo o mundo. No Brasil, cerca de um terço da população já utiliza esse tipo de tecnologia no cotidiano, segundo a mais recente edição da pesquisa TIC Domicílios, que acompanha, desde 2005, o acesso às tecnologias de informação e comunicação no país.

O levantamento aponta ainda que mais da metade dos usuários utiliza IA generativa pelo menos uma vez por semana, enquanto 29% afirmam recorrer às ferramentas todos os dias ou quase todos os dias.

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No Brasil, cerca de um terço da população já utiliza a IA no cotidiano. | Foto: Pexels

O uso, no entanto, não é igual entre todos os grupos. Pessoas que utilizam tanto celular quanto computador tendem a recorrer mais à IA generativa. A frequência também aumenta conforme o nível de escolaridade.

Os dados fazem parte da nova edição da pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

IA vai além do trabalho e dos estudos

Em 2022 e 2023, quando as ferramentas de IA generativa começaram a ganhar popularidade, elas eram apresentadas principalmente como recursos para otimizar atividades de estudo e trabalho. Os dados da pesquisa mostram que esse continua sendo o principal uso: 73% dos usuários recorrem à tecnologia para tratar de temas relacionados ao trabalho ou aos estudos.

Os chatbots, porém, também passaram a ser utilizados em situações mais pessoais. Segundo o levantamento, 58% dos brasileiros que usam IA conversam com as ferramentas sobre preferências e gostos pessoais, como filmes e músicas. Outros 54% afirmam falar diretamente sobre sentimentos e emoções.

A ampliação desses usos também levanta preocupações relacionadas à privacidade e aos riscos psicossociais associados à utilização da tecnologia.

A pesquisa mostra que 52% dos usuários já forneceram dados de saúde, como sintomas e exames, às ferramentas de IA. Além disso, 50% afirmam ter compartilhado fotos próprias ou de pessoas conhecidas.

“Isso mostra como as pessoas estão passando a utilizar a IA generativa de forma muito mais ampla do que apenas aquele email que você revisou antes de enviar – elas estão mandando suas próprias fotos, discutindo seus sintomas, falando com a IA sobre como se sentem. As pessoas estão colocando dados cada vez mais sensíveis e íntimos para essas ferramentas”, afirmou Winston Oyadomari no lançamento da pesquisa. Ele é um dos coordenadores do levantamento e é vinculado ao Cetic.br.

Dados pessoais são compartilhados

Além de informações sobre saúde e imagens, os usuários também fornecem dados pessoais diretamente identificáveis. Segundo a pesquisa, 37% dos usuários de IA generativa no Brasil compartilham informações como nome completo, endereço, data de nascimento e CPF em suas conversas com chatbots.

O comportamento contrasta com o nível de preocupação declarado pelos próprios usuários. Ao todo, 66% afirmam estar preocupados ou muito preocupados com a forma como as empresas responsáveis pelas ferramentas utilizam seus dados pessoais.

A preocupação é ainda maior entre quem utiliza simultaneamente celular e computador, chegando a 68%, e entre pessoas com maior nível de escolaridade, grupo no qual o índice alcança 72%.

Apesar disso, a preocupação não significa necessariamente redução no uso das ferramentas.

“Não é porque o indivíduo se preocupa que ele deixa de utilizar”, afirma Oyadomari.

O levantamento aponta ainda que mais da metade dos usuários utiliza IA generativa pelo menos uma vez por semana. | Foto: Pexels

Para o pesquisador, também é possível que a utilização mais intensa das ferramentas contribua para aumentar a percepção dos riscos relacionados ao compartilhamento de informações sensíveis.

“Os resultados mostram a importância de acompanhar não apenas a disseminação dessas ferramentas, mas também os tipos de informação que os usuários compartilham e suas preocupações em relação ao tratamento desses dados”, afirmou, em comunicado, Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

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