Casas Bahia protocola pedido de recuperação judicial com dívida bilionária
Casas Bahia tenta reorganizar as finanças e preservar as operações após anunciar fechamento de 298 lojas e medidas para reduzir custos
Por Dinaldo dos Santos.
O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para tentar reorganizar uma dívida de R$ 17,3 bilhões e preservar suas operações. A medida representa um novo capítulo na crise financeira enfrentada pela varejista, que já anunciou o fechamento de 298 lojas e um processo de redução da estrutura da companhia.

Casas Bahia protocola pedido
O pedido foi protocolado na noite de domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, e envolve a companhia e algumas de suas principais subsidiárias. Segundo a empresa, a decisão foi tomada diante da deterioração das condições econômico-financeiras, em um cenário de juros elevados, crédito mais restrito, aumento das despesas financeiras e pressão sobre o consumo.
A informação foi divulgada pelo UOL, que também detalhou os valores apresentados pela companhia no processo. Do total do passivo, R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores quirografários, que não possuem garantias. Há ainda R$ 754 milhões em débitos trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e empresas de pequeno porte.
Empresa diz que lojas continuarão funcionando
Apesar do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia afirma que não pretende interromper suas atividades. A companhia informou que manterá os canais de venda e o atendimento aos consumidores durante o processo.
A estratégia apresentada pela empresa é concentrar recursos em operações consideradas mais rentáveis, reduzir custos e diminuir a necessidade de capital empregado. A recuperação judicial deverá ser utilizada para renegociar e alongar dívidas financeiras e operacionais, em busca de uma estrutura de capital considerada sustentável.
O movimento ocorre após a companhia registrar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Segundo o UOL, uma parcela significativa desse resultado esteve relacionada a efeitos contábeis e medidas de reestruturação, enquanto o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
Quase 30% das lojas foram incluídas no plano de redução
Antes mesmo do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia já havia anunciado uma redução expressiva de sua estrutura física. O plano prevê o fechamento de 298 unidades, o equivalente a aproximadamente 29% das 1.034 lojas que a companhia possuía ao fim de junho.
A empresa afirma que a medida busca priorizar canais e categorias com maior rentabilidade, além de reduzir despesas e capital empregado. A redução da operação também deverá atingir o quadro de funcionários.
O sindicato dos comerciários estima que o fechamento das unidades possa resultar em cerca de 2 mil demissões, considerando o quadro de aproximadamente 30 mil trabalhadores registrado ao fim do primeiro semestre. A companhia, porém, não detalhou oficialmente o número total de cortes previstos.
casas bahia
Recuperação judicial tenta evitar agravamento da crise
A decisão ocorre depois de a companhia enfrentar dificuldades para obter novas fontes de liquidez. A Casas Bahia informou que alternativas que vinham sendo estruturadas nos últimos meses não foram concretizadas, aumentando a pressão sobre o caixa.
O pedido judicial busca criar um ambiente para que a empresa renegocie suas obrigações com os credores enquanto mantém a atividade comercial. O conselho de administração aprovou a medida em caráter de urgência e também determinou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para que os acionistas ratifiquem a decisão.
A recuperação judicial, portanto, não representa o encerramento das atividades da Casas Bahia. O objetivo declarado pela companhia é justamente utilizar o processo para reorganizar suas dívidas, reduzir o tamanho da operação e tentar garantir a continuidade do negócio.
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