Justiça nega novo pedido de habeas corpus de Deolane Bezerra
Deolane Bezerra está presa desde o fim de maio por suspeita de lavagem de dinheiro e de ligação com o PCC
A Justiça de São Paulo negou, nesta quinta-feira (25), um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Ela está presa desde o fim de maio por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em maio, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) já havia negado uma decisão liminar favorável à liberdade da influenciadora. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também rejeitou um pedido de prisão domiciliar feito pela defesa, sob o argumento de que não havia “manifesta ilegalidade” na prisão.
Deolane está detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. A influenciadora nega as acusações e afirma que foi presa por ter atuado como advogada em um serviço pelo qual recebeu R$ 24 mil de um cliente. Segundo ela, a “justiça vai ser feita”.
Linha de investigação
Segundo as investigações, a empresária seria suspeita de participação em um esquema criminoso de movimentação financeira ligado ao PCC. De acordo com a apuração, contas bancárias da advogada teriam sido utilizadas para transferências de recursos oriundos de uma transportadora de valores supostamente usada no esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da facção.
Ainda conforme a Polícia Civil, a influenciadora utilizaria sua projeção pública e presença nas redes sociais para dificultar a identificação das movimentações financeiras ilícitas. As autoridades solicitaram o bloqueio de veículos avaliados em cerca de R$ 8 milhões, além do bloqueio de bens estimados em aproximadamente R$ 300 milhões.
Deolane Bezerra é investigada pela Polícia Federal

Em abril deste ano, uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo artistas e influenciadores digitais avançou para a análise de movimentações financeiras de alto valor associadas a nomes conhecidos. Entre eles estão a advogada e influenciadora Deolane Bezerra e o empresário Pablo Marçal, que, apesar de citados, não foram alvos diretos da operação.
As informações constam em relatório da PF enviado à Justiça no âmbito da Operação Narco Fluxo. A ação resultou em dezenas de prisões e apreensões de bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões, incluindo veículos. A investigação apura a existência de uma estrutura voltada à ocultação de recursos ilícitos.
CPI das Bets
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets no Senado Federal, também do mês de abril deste ano.
Investigada pela Polícia Civil de Pernambuco por possível envolvimento em crime de lavagem de dinheiro vinculado a plataformas de apostas online, Deolane foi chamada para explicar à CPI “como influenciadores têm sido utilizados por plataformas de apostas para atrair consumidores”.
A CPI das Bets teve como foco o papel de influenciadores na divulgação de sites de apostas e nas suspeitas de crimes financeiros associados ao setor.
Em setembro de 2024, Deolane chegou a ser presa por duas semanas no contexto dessas investigações. No ano anterior, conseguiu evitar um depoimento à CPI de Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas por meio de um habeas corpus.
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