Empresário preso por tráfico é apontado por risco alto de violência e periculosidade

A constatação do procedimento ocorreu após o empresário, encontrado com mais de 500kg de cocaína, em um navio, na Espanha, ser denunciado por participar de um assalto, em Salvador, em janeiro do ano passado

Por Da redação.

Uma perícia realizada pela Polícia Civil apontou que o empresário Marcelo Nabuco Zollinger, preso por tráfico de drogas, no último dia 18, foi classificado, no ano passado, com um risco alto de violência e um índice elevado de periculosidade, em uma determinada avaliação. 

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A constatação do procedimento ocorreu após o empresário, encontrado com mais de 500kg de cocaína, em um navio, na Espanha, ser denunciado por participar de um assalto, em Salvador, em janeiro do ano passado. Ele foi apontado ainda por utilizar cartão de crédito da vítima do assalto em um bar da capital baiana.

O resultado da perícia acessado pelo AratuON, nesta segunda-feira (29), avaliou sobre um incidente de insanidade mental envolvendo o empresário. O objetivo central da avaliação e do resultado foi determinar a capacidade mental de Marcelo entender a ilicitude do ato e de se autodeterminar conforme esse entendimento. 

Ou seja, a perícia observou se no momento do crime cometido em janeiro do ano passado, ele possuía capacidade mental para entender o caráter ilícito de seus atos e de se “controlar”.

O documento obtido pelo site apontou que apesar de diagnosticar transtornos mentais e dependência química, foi concluído que Marcelo era plenamente capaz de entender o caráter ilícito de suas ações no momento do crime.  

Empresário preso por tráfico é apontado por risco alto de violência e periculosidade 

O resultado da perícia acessado pela reportagem mostrou ainda um risco alto de violência cometido por Marcelo. De acordo com os documentos, o resultado da escala HCR-20 apontou que o acusado possui um índice elevado de periculosidade. 

A escala mencionada serve para avaliar a probabilidade de reincidência criminal e a tendência do indivíduo a agir com violência, baseando-se no seu histórico e na sua "impulsividade patológica".

Além disso, o juiz esclareceu que, embora Marcelo apresente uma tendência maior à violência ou seja mais impulsivo, isso não significa que ele seja incapaz de entender que o crime de roubo armado é ilegal.

A decisão obtida pelo AratuON, indicou que essa impulsividade avaliada não deve ser confundida com um "impulso irresistível". 

A medida afirma que Marcelo executou cada etapa do crime de forma consciente e organizada, independentemente de sua classificação em escalas de risco

Pontos avaliados em perícia

A perícia avaliou a existência de doenças mentais. Foi diagnosticado que Marcelo possui transtornos devido ao uso de múltiplas drogas, transtorno afetivo bipolar e distúrbios de atenção. Apesar das patologias (chamadas de "patologia dual"), o documento concluiu que Marcelo seria inteiramente capaz de entender o caráter ilícito de sua conduta no momento do roubo. 

Foi aplicada a escala HCR-20, que avaliou um risco alto de violência futura, baseando-se no histórico de impulsividade do réu, mas o juiz destacou que isso não retira a sua responsabilidade penal. 

O documento avaliou e rejeitou teses da defesa, como a de "falha de memória" (amnésia lacunar) e a necessidade de novos exames toxicológicos, alegando que a conduta do réu no dia do crime foi coordenada, racional e estratégica

O juiz responsável pelo caso analisou o laudo pericial oficial que, apesar de diagnosticar transtornos mentais e dependência química, concluiu que o réu era plenamente capaz de entender o caráter ilícito de suas ações no momento do crime. A defesa contestou o resultado, alegando falhas metodológicas e contradições, e solicitou a realização de um novo exame médico, fundamentando-se no parecer de um assistente técnico particular. 

No entanto, o magistrado rejeitou os pedidos da defesa, argumentando que a perícia oficial foi robusta, fundamentada e que o comportamento coordenado do acusado durante o delito corrobora sua imputabilidade penal.  

A defesa do empresário baiano, Marcelo Nabuco Zollinger, preso por tráfico de drogas internacional, se posicionou sobre o caso, neste sábado (27). Em nota acessada pelo AratuON, o gabinete do advogado criminalista Sérgio Habib, negou as acusações contra o empresário. 

Os representantes do caso reafirmaram a inocência do empresário, garantindo que todas as suspeitas serão “devidamente contestadas durante a instrução criminal”. Os advogados ainda apelaram ao princípio da presunção de inocência.

“Marcelo Nabuco Zollinger nega, de forma categórica, todas as acusações que lhe são imputadas, as quais serão enfrentadas e devidamente esclarecidas no curso da instrução criminal, fase processual que sequer foi iniciada”, disseram os profissionais. 

Defesa do empresário baiano preso por tráfico de drogas nega acusações

A defesa classificou como equívocos algumas das denúncias feitas contra o empresário preso por tráfico de drogas. Outro ponto indicado foi acerca da omissão do sobrenome “Nabuco” pelas autoridades teria causado uma “confusão” contra o pai do investigado, o médico Marcelo Zollinger, que não possui ligação com o caso

“Trata-se de médico de reconhecida idoneidade, com décadas de relevantes serviços prestados à sociedade, cuja trajetória profissional jamais manteve qualquer relação com as atividades empresariais desenvolvidas por seu filho”, afirmam os advogados”, apontaram. 

Empresário baiano preso por tráfico na Espanha: o que acontece agora?

O empresário baiano preso por tráfico internacional de drogas deve passar pelo processo de extradição. O ato é um instrumento de cooperação internacional no qual um país entrega um suspeito que cometeu um crime a outra nação que tenha jurisdição para julgá-lo ou para que ele cumpra uma pena já imposta 

Com isso, após a conclusão do processo de extradição pelas autoridades internacionais, o foragido pode ser entregue à Polícia Federal no Aeroporto da Espanha e escoltado por policiais federais até o Brasil.

Ao chegar ao Brasil, ele deve ser encaminhado ao sistema prisional baiano para ficar à disposição da Justiça.

Quem é Marcelo Nabuco Zollinger 

Formado em Administração e Negócios pela Faculdade Batista Brasileira, em Salvador, Marcelo Zollinger passou por hospitais de grande porte da Bahia e, mais recentemente, foi sócio de uma concessionária de motocicletas.

Natural de Salvador, Marcelo concluiu a graduação em 2013. Em 2007, ele iniciou a trajetória profissional na área hospitalar como assistente administrativo do antigo Hospital Espanhol, onde permaneceu entre 2007 e 2009.

Na sequência, assumiu o cargo de coordenador administrativo do Hospital da Bahia, função que exerceu por cerca de dois anos e meio. Coincidentemente, o período em que trabalhou nas duas unidades hospitalares foi o mesmo em que seu pai, o médico Marcelo Zollinger, ocupava cargos de direção nas instituições.

Especialista em cirurgia bariátrica, o médico foi superintendente médico do Hospital Espanhol entre 2005 e 2009 e, posteriormente, tornou-se gestor e superintendente executivo do Hospital da Bahia.

De acordo com o perfil profissional de Marcelo Zollinger Filho na plataforma LinkedIn, após deixar a área hospitalar ele passou por outras empresas em Salvador, onde atuou como diretor comercial.

Desde 2018, o empresário aparecia como sócio da New Bahia Harley-Davidson, concessionária de motocicletas instalada na capital baiana. No entanto, a empresa encerrou as atividades em maio de 2024. Desde então, não há registros públicos de novos vínculos profissionais do empresário.

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