Médica suspeita de racismo contra motorista é solta após alegar 'sofrimento emocional'
A médica presa em flagrante por suspeita de injúria racial contra uma motorista de aplicativo em Lauro de Freitas, foi colocada em liberdade
Por Bruna Castelo Branco.
A médica presa em flagrante por suspeita de injúria racial contra uma motorista de aplicativo em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, foi colocada em liberdade após passar por audiência de custódia nesta terça-feira (28). A mulher, identificada como Jamile Cardoso Silva dos Santos, havia sido detida no domingo (26), depois de, segundo a vítima, proferir ofensas de cunho racista e homofóbico em um posto de combustíveis.
Em nota, a defesa de Jamile alegou que, após o falecimento da mãe, ela passou a fazer uso de medicações controladas que podem causar alterações no humor: "Esclarece-se que a profissional vem atravessando um período de severo sofrimento emocional em decorrência do falecimento de sua genitora. Devido a esse quadro de profundo luto, ela encontra-se sob estrito acompanhamento médico, fazendo uso de medicações controladas que atuam no Sistema Nervoso Central, as quais podem acarretar severas alterações de humor, estado cognitivo e comportamento como efeitos colaterais".

De acordo com a motorista, identificada como Rita, a confusão começou após o veículo da médica atingir o carro dela, que estava estacionado no local. Segundo o relato, a suspeita teria dado marcha à ré mais de uma vez, causando danos ao automóvel.
Ainda conforme Rita, a médica apresentava sinais de embriaguez e, após a colisão, entrou na loja de conveniência do posto para consumir bebida alcoólica. Funcionários do estabelecimento também relataram à vítima que a mulher havia ingerido bebidas alcoólicas ao longo do dia.

A motorista contou que fotografava os danos causados ao veículo para solicitar o ressarcimento quando a médica retornou e passou a insultá-la. Segundo Rita, a suspeita a chamou de "pretinha", "preta" e "vagabunda", além de afirmar que ela "só queria dinheiro".
Um amigo da motorista, que também estava no local, teria sido alvo de ofensas homofóbicas. Conforme o relato da vítima, a médica utilizou termos depreciativos relacionados à orientação sexual dele.
Prisão em flagrante
Após as ofensas, segundo a vítima, a médica tentou deixar o posto de combustíveis, mas foi contida até a chegada da Polícia Militar. Ela foi encaminhada à 27ª Delegacia Territorial (DT/Itinga), onde foi autuada em flagrante pelos crimes de injúria racial e injúria motivada por homofobia.
Em nota, a Polícia Civil informou que policiais militares foram acionados para atender à ocorrência e que, na delegacia, a vítima relatou ter sido alvo de ofensas raciais e homofóbicas. A suspeita foi autuada em flagrante e permaneceu custodiada até ser submetida à audiência de custódia.

Já a Polícia Militar informou que equipes da 81ª Companhia Independente (CIPM) foram acionadas pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom) para verificar uma denúncia de desentendimento em um estabelecimento comercial. No local, os policiais encontraram três pessoas envolvidas na ocorrência e foram informados de que dois motoristas por aplicativo teriam sido vítimas de insultos de cunho homofóbico e injúria racial praticados por uma mulher. As partes foram encaminhadas à delegacia para adoção das medidas cabíveis.
Após a audiência de custódia, a médica foi colocada em liberdade e responderá ao processo em liberdade. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.
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