Menina de 11 anos com diabetes tipo 1 ganha apoio de cadela treinada, cria ‘Faculdade de Diabetes’ e faz desafio diário virar exemplo de superação
Diagnosticada com diabetes tipo 1 aos sete anos, em 2022, a pré-adolescente encontrou em Marley, uma golden retriever de três anos, uma companhia especial
Por Bruna Castelo Branco.
Aos 11 anos, Piper Stroud já precisou aprender a conviver com uma rotina que exige atenção constante. Diagnosticada com diabetes tipo 1 aos sete anos, em 2022, a pré-adolescente encontrou em Marley, uma golden retriever de três anos, uma companhia especial para ajudá-la no controle da doença.
Treinada para identificar alterações nos níveis de glicose no sangue, Marley passou a fazer parte da rotina de Piper e se tornou uma espécie de aliada nos momentos em que a menina precisa verificar a glicemia e tomar as medidas necessárias.

A história começou quando Piper passou a apresentar sintomas que chamaram a atenção da mãe, Faith De Santiago, enfermeira de terapia intensiva cardiovascular. A menina sentia sede e fome excessivas, apresentava mal-estar depois de comer doces e acordava algumas vezes durante a noite para ir ao banheiro.
Diante das mudanças no comportamento da filha, Faith decidiu levá-la para fazer exames. O resultado confirmou o diagnóstico de diabetes tipo 1, uma doença crônica em que o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina.
Para a mãe, que conhece os riscos associados à doença, o diagnóstico trouxe preocupação e uma nova rotina para toda a família. Ao mesmo tempo, sua experiência profissional ajudou a buscar alternativas para tornar o controle da condição mais seguro e ampliar a rede de apoio de Piper.
Como Piper controla a diabetes no dia a dia?
Estudante do quinto ano, Piper utiliza um monitor contínuo de glicose (CGM) Libre, da Abbott, e uma bomba de insulina iLet, da Beta Bionics. Os equipamentos permitem acompanhar os níveis de glicose e auxiliar no tratamento sem depender exclusivamente de medições manuais.
“O CGM nos fornece leituras de glicose minuto a minuto, sem a necessidade de picadas constantes no dedo, e compartilha as atualizações no meu celular, para que nossa família possa tomar decisões informadas mesmo quando está ativa ou longe de mim”, relata Faith.

A mãe também é responsável pelos cuidados de outros dois filhos: Willow, de 5 anos, e Charlie, de 2.
Mesmo com o uso da tecnologia, Faith continuou procurando maneiras de ampliar a segurança da filha. Foi durante essa busca que conheceu, por meio do TikTok, os chamados cães de alerta para diabéticos, conhecidos pela sigla DADs.
Como Marley entrou na vida da menina?
A descoberta dos cães treinados para auxiliar pessoas com diabetes despertou o interesse da família. Para conseguir financiar os custos relacionados à aquisição e ao treinamento do animal, a irmã de Faith criou uma campanha na plataforma GoFundMe.
A resposta da comunidade foi suficiente para que o plano se tornasse realidade.
“Em poucos dias, a generosidade da comunidade que ajudou na plataforma tornou possível trazer Marley para casa”, contou Faith.
A golden retriever chegou à família e, desde então, passou a acompanhar Piper de perto. O animal foi treinado para identificar alterações nos níveis de glicose da menina e funciona como uma camada adicional de apoio no controle da doença.

O que Marley faz quando percebe uma alteração?
Embora o monitor contínuo de glicose acompanhe os níveis da menina e esteja conectado à bomba de insulina, Marley permanece atenta aos sinais para os quais foi treinada.
“Quando Marley percebe qualquer mudança, avisa Piper e fica por perto enquanto ela verifica seu nível de glicose e toma as medidas apropriadas”, destaca Faith.
A relação entre as duas, no entanto, vai além da função desempenhada pela cadela. A convivência fez com que Marley se tornasse uma companhia constante na rotina de Piper.
“Eu e a Marley somos melhores amigas. Ela é doce, engraçada, carinhosa e inteligente”, diz Piper.
Veja vídeo:
Como uma menina de 11 anos passou a ensinar outras pessoas sobre diabetes?
Com o tempo, Piper não apenas aprendeu a lidar com a própria condição, como também passou a compartilhar o conhecimento adquirido com outras pessoas que convivem com diabetes tipo 1.
A menina criou a própria “Faculdade de Diabetes”, um projeto que reúne conteúdos sobre a doença, um teste com 20 perguntas e até certificados para quem participa da atividade.
A iniciativa mostra como Piper transformou parte da experiência adquirida desde o diagnóstico em uma forma de ajudar outras pessoas a compreender a doença e saber como agir diante de uma emergência.
Segundo Faith, esse também é um dos principais objetivos da filha: explicar às pessoas ao redor o que é a diabetes tipo 1 e orientá-las sobre como agir caso seja necessário ajudá-la.
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