Oeste da Bahia: entenda por que a região é um polo do agronegócio brasileiro

Municípios como Luís Eduardo Magalhães, Barreiras e Correntina consolidam o oeste da Bahia como polo do agronegócio brasileiro

Por João Tramm.

O oeste da Bahia se tornou uma das regiões mais dinâmicas do estado e um verdadeiro polo do agronegócio brasileiro. Graças a solos férteis, clima favorável e alta mecanização, a área atrai grandes investimentos, nacional e internacional, consolidando-se como fronteira agrícola estratégica.

Cidades como Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, Correntina, São Desidério, Formosa do Rio Preto e Riachão das Neves lideram a produção agrícola e pecuária, elevando a região a um papel de destaque no cenário nacional.

Em entrevista ao Aratu On, o historiador Murilo Mello destaca como se deu o processo de desenvolvimento da região. “O progresso agrícola aqui é resultado de investimento pesado em tecnologia. Sem isso, seria impossível alcançar o volume de produção que vemos hoje. É um modelo que combina capital privado, conhecimento técnico e inovação, mas deve ser acompanhado de responsabilidade ambiental.”

Agência da Câmara

Segundo o gerente de Sustentabilidade da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), Eneas Porto, a região Oeste já é reconhecida como a principal área irrigada do país, com cerca de 350 mil hectares em operação. Os produtos irrigados se destacam inclusive no cenário de exportação.

Municípios que lideram a produção no Oeste da Bahia

Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Correntina são os principais municípios do oeste baiano quando o assunto é produção agrícola. Segundo dados do IBGE de 2023, a região produziu 7.749.176 toneladas de soja, com um valor de R$ 16,98 bilhões, seguida por algodão herbáceo (1.429.656 t / R$ 7,2 bilhões) e milho (2.232.120 t / R$ 2,07 bilhões). O feijão, o fumo, o café Arábica e as frutas — como banana, laranja, manga, limão e maracujá — também se destacam, mostrando a diversidade produtiva que caracteriza o oeste da Bahia agronegócio.

O historiador Mello explica: “O oeste baiano sempre existiu como interior, zona rural, mas com produção pequena e tradicional. Com a chegada de famílias do Sul e Sudeste, houve um investimento mais industrializado: máquinas, tecnologias e diversificação de culturas. Isso trouxe progresso, empregos, e uma elevação no PIB local, mas também transformações ambientais e sociais importantes.”

2023 Produto Quantidade Produzida (ton) Valor da Produção (R$ mil)
1 Soja (em grão) 7.749.176 16.984.991
2 Algodão herbáceo (em caroço) 1.429.656 7.209.543
3 Milho (em grão) 2.232.120 2.078.978
4 Feijão (em grão) 92.072 322.258
5 Fumo (em folha) 10.900 208.951
6 Café (em grão) Arábica 18.027 149.742
7 Café (em grão) Total 18.027 149.742
8 Banana 107.048 141.412
9 Banana (cacho) 48.501 104.415
10 Sorgo (em grão) 130.795 87.618
11 Trigo (em grão) 24.422 30.703
12 Mandioca 26.591 24.543
13 Cana-de-açúcar 92.834 19.483
14 Melancia 31.243 18.472
15 Laranja 15.136 12.807
16 Alho 811 9.927
17 Manga 4.826 9.508
18 Tomate 2.021 3.995
19 Maracujá 1.922 3.392
20 Cebola 1.927 3.390
21 Limão 2.206 2.530
22 Tangerina 1.340 2.495
23 Coco-da-baía 1.621 1.329
24 Goiaba 889 1.249
25 Cacau (em amêndoa) 71 1.213
26 Arroz (em casca) 409 800
27 Uva 119 485
28 Mamona (baga) 29 101

Fonte: IBGE - Produção Agrícola Municipal - 2023

Papel estratégico no agronegócio nacional

Além da agricultura, a região apresenta expressivo rebanho pecuário. Em 2023, o oeste da Bahia contabilizou 11.070.448 galináceos, 2.199.321 bovinos, 121.850 suínos, 91.802 ovinos e 30.004 caprinos. Esses números consolidam o oeste da Bahia agronegócio também na pecuária, tornando a região indispensável para o abastecimento interno e exportações.

2023 Tipo de Rebanho Cabeças
1 Galináceos 11.070.448
2 Bovino 2.199.321
3 Suíno 121.850
4 Ovino 91.802
5 Equino 49.975
6 Caprino 30.004
7 Codornas 12.336
8 Bubalino 250
 +Fonte: IBGE

Mello ressalta: “O oeste da Bahia virou a nova fronteira agrícola do Brasil. Antes, a Bahia não era lembrada nesse contexto. Hoje, Barreiras, Luís Eduardo e Correntina representam uma força econômica que atrai grandes grupos e empresas multinacionais, com investimentos em tecnologia, irrigação e mecanização, o que aumenta produtividade e competitividade.”

Presença no Matopiba

O conceito de Matopiba — junção de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — reforça o protagonismo da região. O oeste da Bahia apresenta alta mecanização. Colheitadeiras, plantadeiras de última geração e irrigação de precisão garantem safras robustas e eficientes. Essa combinação de tecnologia, clima favorável e manejo adequado eleva a produtividade e posiciona a região como líder nacional em várias culturas.

“O desenvolvimento do oeste da Bahia é a cara do agronegócio moderno: emprego, crescimento econômico e inovação. Mas não podemos ignorar que há impactos sociais e ambientais. A região exige equilíbrio entre produção e sustentabilidade. É preciso políticas públicas para preservar recursos naturais e a vida das comunidades locais.”

O investimento de multinacionais e grandes grupos agrícolas transformou o oeste da Bahia em uma região estratégica para o Brasil. Grandes fazendas produzem em larga escala, gerando empregos diretos e indiretos, movimentando toda a economia local e aumentando a arrecadação de impostos.

“A inclusão da Bahia no Matopiba não é por acaso. É a nova fronteira agrícola do país. Investimentos industriais, mecanização, soja e leguminosas transformaram a região. Isso trouxe progresso econômico, mas também desafios ambientais, como desmatamento e impacto na fauna e flora. Além disso, houve conflitos fundiários, porque grandes investidores compram fazendas antigas, mudando a ocupação local.”

Desafios e disputa por terras 

Apesar da expansão, o oeste baiano enfrenta desafios significativos, assim como todo agronegócio baiano. Rodovias precárias, ausência de ferrovias, conectividade limitada e fornecimento irregular de energia ainda dificultam a logística. Ambientalmente, a expansão agrícola impacta o bioma do Cerrado, exigindo políticas de manejo sustentável e proteção da biodiversidade.

Mello observa: “O crescimento tem ônus e bônus. Ele aquece a economia e gera empregos, mas transforma o meio ambiente. A água, o solo, a flora e fauna sofrem alterações. Há também tensões fundiárias e sociais, que precisam ser administradas com planejamento e políticas públicas.”

O valor elevado das terras intensifica também as disputas por ela, grilagem e judicialização de conflitos, colocando comunidades tradicionais, pequenos produtores e agricultores familiares em posição vulnerável.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2020 a Bahia registrou 127 conflitos por terra, afetando 9.585 famílias, sendo que 1.850 sofreram ações de grileiros e 925 tiveram casas ou roças destruídas. Os conflitos resultaram em 32 assassinatos e 159 ameaças de morte, envolvendo fazendeiros, empresários, governo federal e grileiros como principais responsáveis, enquanto indígenas, quilombolas, posseiros e sem-terra foram as principais vítimas.

A Operação Faroeste evidenciou esse panorama, investigação que expôs um esquema de corrupção envolvendo juízes, advogados, empresários e intermediários em especial para obter terras no Oeste da Bahia. O caso começou na Fazenda Estrondo, que cresceu com sentenças manipuladas ao ponto que alcançar mais de 440 mil hectares no Oeste da Bahia.

O caso envolveu diversos empresas e multinacionais que produzem na região, algumas delas foram denunciadas pelo Ministério Público. Tais como, a JFF Holding, de Adailton Maturino, um dos pivôs do esquema, além do Grupo Bom Jesus Agropecuária, Grupo Okamoto e de organização de produtores como a Abapa, Aprochama.

Perspectivas futuras no Oeste baiano

Mesmo com desafios, o oeste da Bahia agronegócio mantém grande potencial de crescimento sustentável. A diversificação de culturas, o aumento da mecanização e a presença de grandes investidores consolidam a região como modelo de fronteira agrícola brasileira, capaz de equilibrar desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

O historiador finaliza: “O futuro do oeste da Bahia depende da capacidade de produzir mais, mas com menor impacto ambiental. Se houver equilíbrio entre inovação, produtividade e preservação, a região continuará sendo uma referência nacional no agronegócio, mostrando que crescimento econômico e sustentabilidade podem andar lado a lado.”

Algodão é uma das principais produções da região; Foto: Divugação/ Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural

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