Chocolate na escola? Veja a nova proposta que pode mudar a merenda na Bahia

Projeto sugere incluir cacau e derivados na alimentação escolar, com foco em nutrição e valorização da produção local

Por Laraelen Oliveira.

Uma nova proposta, feita pelo deputado Vitor Bonfim (PSB) ao governador Jerônimo Rodrigues, sugere a inclusão do chocolate na merenda escolar da rede pública estadual. A ideia é estimular o consumo de cacau e seus derivados de forma equilibrada, aliando benefícios nutricionais ao fortalecimento da produção regional. A proposta foi apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

Nutrição e economia local no mesmo prato

De acordo com a indicação, o consumo diário de pequenas quantidades, entre 30g e 40g, pode contribuir para enriquecer a alimentação dos estudantes, desde que inserido de maneira balanceada. A proposta também destaca a importância de valorizar o cacau produzido na Bahia, um dos principais polos do mundo, com forte presença da agricultura familiar.

A Bahia é responsável por grande parte da produção nacional de cacau, com destaque para a região sul do estado, especialmente cidades como Ilhéus e Itabuna/Foto: Reprodução

O texto argumenta que a iniciativa está alinhada com legislações vigentes, como a Constituição Federal, a Política Nacional de Incentivo à Produção de Cacau de Qualidade e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Também menciona a Lei 15.377, sancionada em janeiro de 2026, que ampliou os incentivos ao setor cacaueiro e prevê a inserção do chocolate na alimentação escolar.

Outro ponto reforçado é a diretriz do PNAE que determina que pelo menos 30% dos recursos destinados à merenda sejam utilizados na compra de alimentos provenientes da agricultura familiar, o que pode beneficiar diretamente produtores locais.

Além do impacto econômico, a proposta chama atenção para os possíveis benefícios à saúde. Chocolates com maior teor de cacau, especialmente os amargos com 70% ou mais, são apontados como mais nutritivos por conterem menos açúcar e maior concentração de flavonoides, fibras e magnésio.

O cacau é rico em teobromina, um composto que pode estimular o sistema nervoso central de forma leve, contribuindo para maior atenção e disposição/Foto: Reprodução 

Esses compostos estão associados a efeitos como melhora do fluxo sanguíneo, redução da pressão arterial, ação antioxidante e possível impacto positivo na função cognitiva. Há ainda indicações de que o consumo moderado pode estimular a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como serotonina e endorfinas. A proposta ainda será analisada.

Pesquisadores brasileiros desenvolvem mel com gosto de chocolate a partir de resíduos do cacau

Um grupo de cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou um novo produto ao combinar mel de abelhas nativas com cascas de amêndoas de cacau. O resultado é um alimento inovador, que pode ser consumido puro ou utilizado como ingrediente nas indústrias alimentícia e cosmética. A pesquisa, destaque de capa na revista ACS Sustainable Chemistry & Engineering, apresenta uma solução sustentável ao propor o reaproveitamento de resíduos gerados na produção de cacau.

Um grupo de pesquisadores da Unicamp desenvolveu um novo produto obtido da combinação entre mel e cascas de amêndoa de cacau/Foto: Ilustrativa/Pexels

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.