Justiça mantém prisão de mulher suspeita de racismo religioso após ataque a terreiro em Salvador
Defesa da mulher suspeita de racismo religioso pediu conversão da prisão em prisão domiciliar, alegando má “condições psiquiátricas” da presa
Por Victor Hernandes.
A Justiça da Bahia manteve a prisão da mulher presa nesta segunda-feira (6) por racismo religioso em Salvador. A suspeita identificada como Soraia Mascarenhas Neves, de 45 anos, foi presa na manhã desta segunda-feira (6), no bairro da Pituba, em Salvador, durante uma investigação por racismo religioso e dano qualificado.

Na ocasião, a Polícia Civil, além do mandado de prisão preventiva, os policiais também cumpriram um mandado de busca e apreensão contra Soraia. Segundo informações obtidas pelo AratuON, nesta terça-feira (7), Soraia passou por audiência de custódia nesta terça.
A defesa da mulher pediu conversão da prisão em prisão domiciliar, alegando má “condições psiquiátricas” da presa. No entanto, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em decisão do juiz Horácio Moraes Pinheiro, negou o pedido.
O magistrado estabeleceu a prisão preventiva da mulher. O juiz apontou que “atestou a inexistência de irregularidades que maculem a custódia em andamento”.
Entenda o caso da mulher suspeita de racismo religioso
Soraia Mascarenhas Neves, de 45 anos, foi apontada pela polícia por participar de um ataque a terreiro de candomblé localizado no bairro de Cajazeiras XI, em Salvador.
A prisão é resultado das investigações sobre o ataque a um terreiro localizado no bairro de Cajazeiras XI, ocorrido no dia 20 de janeiro de 2026. Na ocasião, a fachada e o portão de entrada do espaço religioso foram pichados com inscrições de cunho discriminatório e ofensivo.
De acordo com a Polícia Civil, a identificação da suspeita foi possível após a análise de imagens de videomonitoramento e da coleta de provas, que embasaram o pedido das medidas judiciais.
Durante o cumprimento do mandado de busca, foram apreendidos dois aparelhos celulares, agendas e um notebook. Os materiais passarão por análise e devem contribuir para o aprofundamento das investigações. A suspeita foi submetida aos exames legais e permanece à disposição do Poder Judiciário.
O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV). As investigações continuam para o completo esclarecimento dos fatos.
Os membros do templo religioso denunciaram o crime ocorrido em janeiro deste ano após ter o muro de entrada pichado. De acordo com o terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza, as paredes do espaço sagrado foram pichadas com as palavras “Assassinos” e “Jesus”.
Em nota, a instituição classificou o ato como racismo religioso e afirmou que a ação representa um ataque à liberdade de crença e ao direito constitucional ao livre exercício religioso.
“Trata-se de um crime motivado por ódio religioso, que reforça estigmas, incita a violência simbólica e perpetua o racismo estrutural historicamente imposto aos nossos povos”, informou.
A comunidade religiosa cobrou a identificação e punição dos responsáveis, além de medidas para garantir a segurança do local.
“Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por justiça!”, finalizou.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) investiga a ocorrência pelos crimes de dano e intolerância religiosa.
Conforme a polícia, além das pichações de cunho religioso, um equipamento eletrônico do templo também foi danificado. Até o momento, ninguém foi preso.
Outros casos de ataque a terreiros em Salvador
Em maio do ano passado, a Casa de Oxumarê, um dos terreiros mais antigos e significativos do candomblé na Bahia, foi alvo de vandalismo na Avenida Vasco da Gama, em Salvador.
Um membro da Torcida Organizada Bamor (TOB) foi flagrado pichando o muro do terreiro com a sigla da torcida, horas antes do clássico entre Bahia e Vitória, que terminou com vitória do Tricolor na Arena Fonte Nova.
Em vídeo que circula nas redes sociais, o suspeito aparece pichando o muro do terreiro com a sigla TOB. Nas redes sociais, a Casa de Oxumarê pediu por respeito e ética.
A Casa de Oxumarê é um dos terreiros mais antigos do país. Foi tombada como patrimônio histórico e cultural do Brasil em 2013 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reportagem do Aratu ON fez contato com a Polícia Civil e aguarda resposta sobre o caso.

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